AMAR COMO CRISTO AMOU - Sermão de 06/09/2026
- Pastor Sérgio Fernandes

- há 23 horas
- 12 min de leitura

Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros. Jo 13.34,35
INTRODUÇÃO
Há três semanas, eu começo minhas manhãs com um tratamento hiperbárico.
Funciona assim:
Eu entro em uma câmara para ser exposto ao oxigênio puro. Durante algumas horas, permaneço ali com outras pessoas que, assim como eu, buscam os benefícios daquele tratamento. Somos diferentes, pensamos de maneiras diferentes, temos histórias diferentes. Ainda assim, encontro após encontro, as conversas acabam criando vínculos e, quase sem perceber, pessoas que eram desconhecidas passam a fazer parte da minha vida.
Aquela câmara não é o melhor ambiente do mundo e as pessoas que estão ali também não (haja vista eu estar lá). Mas todos que estão ali precisam dela e, de alguma maneira, precisam uns dos outros (porque os bons papos que antecedem a colocação das mascaras de oxigênio amenizam a apatia de 1h30 de silêncio durante o tratamento).
...
Como gosto de ocupar meu tempo ocioso, tenho levado livros para suportar essa jornada. Um deles, "As Nove Marcas de uma Igreja Saudável", vem despertando uma reflexão sincera em mim do tipo de igreja que desejo edificar como pastor.
Mas também despertou a atenção de uma senhora que faz tratamento comigo.
Ela pegou o livro na mão, fez uma carinha de desconfiada e me perguntou:
Você acha mesmo que existe uma igreja saudável?
...
Que pergunta reflexiva.
Será que existem igrejas saudáveis?
E, se sim, qual seria a marca de uma comunidade saudável?
Essa pergunta já havia me "pegado" na leitura do livro.
E ela me levou a João 13.34,35.
É sobre isso que falarei nessa manhã.
A NATUREZA DO AMOR DE DEUS
No livro que estou lendo, Mark Dever destaca nove marcas de uma comunidade cristã saudável e, entre elas, ele enfatiza a necessidade de uma compreensão e experiência profunda de membresia.
A expressão "membresia" fala a respeito do cuidado mútuo que os crentes tem uns pelos outros. Esse cuidado aparece, claramente, na leitura oficial do sermão.
Então, quando falamos de membresia,
falamos inevitavelmente de amor mútuo
que deve existir aqui na comunidade.
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Quando o Senhor Jesus deixou suas instruções a respeito da necessidade de existir na comunidade redimida o amor, suas palavras devem ser interpretadas à luz do que estava acontecendo naquele momento:
Esse discurso aconteceu um pouco antes da Páscoa, o que significa que sua morte na cruz era iminente (Jo 13.1);
Ele havia lavado os pés dos discípulos e ensinado o valor da humildade no Reino de Deus (Jo 13.3-17);
Ele havia anunciado que seria traído (Jo 13.18) e antecipado a sua partida desse mundo (Jo 13.33).
Ora, antes da Festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim. Jo 13.1
É interessante notarmos que, embora estivesse rodeado de tensões que se multiplicavam à medida que Ele se aproximava da cruz, Jesus mantém em perspectiva o amor que nutria pelos seus discípulos.
Foi esse amor que o manteve firme no caminho até a cruz.
Mas, que tipo de amor era o de Jesus?
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Definir corretamente a natureza desse amor é necessário logo no começo desse sermão para driblarmos o uso mais contemporâneo dessa expressão. Com o desenvolvimento da linguagem, algumas palavras vão sendo redefinidas à medida que a cultura se desenvolve.
Então, quando falamos do amor de Deus, nossas referências do uso dessa expressão são amplas na linguagem moderna. Amor familiar, romântico, de amigos, dentre outros.
O amor de Jesus pode ser expresso parcialmente nessas categorias, mas elas não podem expressar com exatidão sua extensão.
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Sendo assim, quando Jesus fala de "amor", precisamos olhar para algo além da nossa cultura moderna: para a história da salvação.
Jesus conhecia o amor que o Pai Celestial nutria pelo seu povo.
Um amor soberano e pactual.
Soberano, porque Deus escolheu Israel no AT em meio a todas as demais nações.
E pactual, porque Deus fez promessas aos antepassados e as cumpriu fielmente.
Pois vocês são um povo santo para o Senhor, o seu Deus. O Senhor, o seu Deus, os escolheu dentre todos os povos da face da terra para ser o seu povo, o seu tesouro pessoal. O Senhor não se afeiçoou a vocês nem os escolheu por serem mais numerosos do que os outros povos, pois vocês eram o menor de todos os povos. Mas foi porque o Senhor os amou e por causa do juramento que fez aos seus antepassados. Por isso ele os tirou com mão poderosa e os redimiu da terra da escravidão, do poder do faraó, rei do Egito. Dt 7.6-8
A fidelidade de Deus e a integridade de Sua
natureza levaram o Senhor a libertar Israel da escravidão.
Mas o caminho de Israel fora do cativeiro foi irregular, cheio de quedas e pecados.
Mas Deus não desistiu deles!
o Senhor lhe apareceu no passado, dizendo: “Eu a amei com amor eterno; com amor leal a atraí. Jr 31.3
Esse capítulo de Jr 31 também nos ajuda a entendermos o contexto de João 13, porque aqui, Deus promete uma Nova Aliança que seria estabelecida quando Cristo morresse na cruz.
“Esta é a aliança que farei com a comunidade de Israel depois daqueles dias”, declara o Senhor: “Porei a minha lei no íntimo deles e a escreverei nos seus corações. Serei o Deus deles, e eles serão o meu povo. Ninguém mais ensinará ao seu próximo nem ao seu irmão, dizendo: ‘Conheça ao Senhor’, porque todos eles me conhecerão, desde o menor até o maior”, diz o Senhor. “Porque eu lhes perdoarei a maldade e não me lembrarei mais dos seus pecados.” Jr 31.33,34
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Sendo assim, ao falar de amor, Jesus não está simplesmente dizendo que gostava muito dos seus discípulos (até porque, convenhamos, o seu time era bem complicadinho).
O amor de Jesus é semelhante ao amor do Pai pelo Seu povo.
Um amor de redenção.
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Lembra da expressão "amou-os até o fim", presente em João 13.1?
Ela ganha um contorno novo nesse momento, deixando a história ainda mais bonita:
A expressão grega "εἰς τέλος ἠγάπησεν αὐτούς" parece sugerir tanto a perseverança de Cristo (que não vai embora quando as coisas ficam difíceis) quanto a completude (Ele é fiel para cumprir o que prometeu).
Esse é o amor de Jesus por nós. Um amor disposto a morrer.
Um amor que o levou para a cruz.
Da mesma forma, depois da ceia, tomou o cálice, dizendo: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue, derramado em favor de vocês. Lc 22.20
A encarnação é esse amor de Deus que vem a nós em Jesus.
Um amor que pode ser visto, experimentado e imitado.
...
Sem esse amor, não haveria perdão, salvação, nem mesmo a comunidade cristã.
Então, quando penso nas palavras daquela senhora:
"Será que existem igrejas saudáveis?",
penso que a pergunta talvez devesse ser assim:
"Será que existem comunidades que expressam
essa natureza de amor ensinada e vivida por Jesus"?
UM AMOR A SER IMITADO
Então, como vimos, Cristo nos deixou no seu exemplo o tipo de amor que devemos experimentar e imitar.
“Um novo mandamento dou a vocês: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Jo 13.34
A comunidade cristã é fruto desse amor de Jesus que o levou à cruz.
Todos nós somos fruto da paixão de Jesus Cristo.
E, como parte de nossa identidade redimida, devemos agora viver esse amor que nos transformou.
Que desafio!
Ele não quer que haja em nós um amor que é construído por meras afinidades, mas um amor que reflita Sua natureza e a ética do Seu Reino.
Mas será que conseguimos viver assim?
Vamos continuar no texto!
...
A primeira coisa que observo é que o mandamento de amar não era um mandamento "de fato" novo. O Antigo Testamento já trazia em sua mensagem essa implicação ética que devia fazer parte da comunidade da aliança.
“Não procurem vingança nem guardem rancor contra alguém do seu povo, mas ame cada um o seu próximo como a si mesmo. Eu sou o Senhor. Lv 19.18
A novidade era que o mandamento agora
tinha uma régua deixada pelo próprio Cristo.
Os discípulos deveriam amar tendo o amor
de Jesus como referência.
Como assim, amar como Jesus amou?
Nosso amor pode ser eterno e perfeito?
É óbvio que não.
Mas, como afirmei anteriormente, na encarnação, Cristo não veio apenas nos salvar de nossos pecados, mas também nos proporcionar um modelo de vida que agrada a Deus e que poderia ser imitado.
Deus se fez homem para nos ensinar
a sermos humanos e a amar.
...
No capítulo 13, o lava-pés serve como pano de fundo desse ensinamento. Foi nesse momento que Jesus ensinou com um exemplo a forma como o amor pode ser expressado.
Porque, nas Escrituras, o amor não se refere
apenas a afeições e sentimentos: ele se transforma
em comportamento e ações.
Assim, levantou-se da mesa, tirou sua capa e colocou uma toalha em volta da cintura. Depois disso, derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos seus discípulos, enxugando-os com a toalha que estava em sua cintura. Jo 13.4,5
No lava-pés, Jesus assume a forma do servo mais simples.
E com objetos simples, Ele ensina o amor de forma pura e aplicável.
...
Então, certamente não amaremos
perfeitamente como Jesus nos ama.
Mas podemos (e devemos) imitar o amor de Jesus que decide humildemente servir, de forma altruísta. Assumir a forma de servo é o modo pelo qual imitamos nosso Senhor!
Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz! Fp 2.5-8.
Então sim, há comunidades que vivem o amor de Jesus.
Com diferentes perfis de dedicação e de entrega.
...
E aqui, deixo uma pergunta para nós, que compomos essa aliança de irmãos:
"Nós amamos a nossa comunidade cristã como Cristo nos amou?".
Pense comigo: o Reino de Deus aponta para a vida em comunidade,
para o estar junto, para o fazer parte, para servir com dedicação.
Para sermos capazes de lavarmos os pés uns dos outros.
Então, quando Jesus pede para amarmos uns aos outros, ele está falando a respeito da nossa experiência como igreja local. A vida que desfrutamos unidos em Sua presença.
Não é um amor utópico, distante; é perto:
afinal a nossa missão começa "dentro de casa".
Então, quando decidimos imitar o amor de Jesus e segui-lo,
temos que amar a comunidade a qual pertencemos
e nos comprometermos com ela.
Parece que surgiu um silêncio aqui?
"Ah pastor, ultimamente estou querendo apenas o sossego da minha casa e família".
Não quero me envolver. Não quero intrigas, não quero sofrer. Não quero cobranças.
Eu quero ficar de boa...
Nestes 18 anos pastoreando, tenho ouvido
cada vez mais afirmações como essas.
O que será que está por trás desse movimento amplo de "ficar de boa"?
Bem, vivemos uma geração que, por conta de recortes na internet, bom marketing religioso e o papel de influencers evangélicos, está sendo conduzida a amar e idealizar uma igreja ideal ao invés da comunidade de pecadores da qual faz parte.
Será que somos assim?
"Aquela igreja é melhor. É mais bíblica. E mais ungida. Tem estrutura melhor.
O povo lá é mais consagrado. O pastor de lá não tem barba".
Glórias a Deus pelas boas igrejas que Deus tem levantado no mundo.
Mas o que existe por trás de boas igrejas não são estruturas eficientes,
mas pecadores que aprenderam a amar a igreja real.
E sabe quem compõe a igreja real? Eu e você.
Crentes difíceis. Chatos. Às vezes impertinentes. Às vezes omissos.
Às vezes misericordiosos demais, às vezes de menos.
Igreja real não é sinônimo de perfeição.
Toda igreja é perfeita até entrarmos nela.
Mas foi por essa igreja imperfeita e real que Jesus se inclinou, se despiu e lavou os pés.
Pois bem, se eu, sendo Senhor e Mestre de vocês, lavei os seus pés, vocês também devem lavar os pés uns dos outros. Eu dei o exemplo, para que vocês façam como lhes fiz. Jo 13.14.15
Que exemplo Jesus deixou lavando os pés dos seus discípulos:
Até de quem o trairia.
Até de quem o negaria.
Até daqueles que o deixariam quando fosse preso.
Seu amor por pecadores reais é o exemplo
que nos move a amar o que é real.
Agora que vocês sabem estas coisas, felizes serão se as praticarem. Jo 13.17
...
Parece que o Espírito Santo está
nos conduzindo a uma reflexão.
Será que estamos prontos para amar nossos irmãos em todas as suas imperfeições?
Será que podemos individualmente e coletivamente, em resposta ao amor de Jesus, nos comprometermos uns com os outros a fim de que a presença de Jesus seja real em nosso meio?
Esse é o mandamento que nos foi dado.
Não é opcional. Deve ser abraçado com fé por aqueles que Jesus alcançou!
Então, pense em um cenário hipotético: qual seria o impacto de uma comunidade vivendo a altura desse mandamento dado por Cristo?
UM AMOR QUE IMPACTA
Primeiramente, afirmo que podemos, sim, viver a altura desse amor ensinado por Jesus.
Mas isso só será possível quando estivermos dispostos a, como Jesus, tirarmos a capa, cingirmos a toalha e lavarmos os pés uns dos outros. Por isso, as palavras de Jesus no v.35 me soam tão poderosas:
Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros. Jo 13.35
Então, a pergunta que ecoa da minha leitura do livro e da pergunta daquela senhora ainda ecoam dentro de mim: "será que existe uma igreja saudável".
Sim, existe. À medida que crescemos no amor de Jesus,
nossa experiência de membresia se aprofunda e mais saudáveis
nos tornamos.
...
Então, como pastor, eu sonho com uma igreja estruturada, com múltiplos ministérios e profícua na evangelização.
Mas, de verdade, mais do que nunca quero que
sejamos uma igreja conhecida pelo amor.
Um amor santo e comunitário.
Porque, na doutrina de Cristo, amar não é uma opção.
É um mandamento.
Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama. Aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me revelarei a ele”. João 14:21 (NVI)
Se eu e você nos comprometermos pessoalmente a amarmos a comunidade e os pecadores perdoados reais que congregam aqui, qual seria o resultado prático disso?
Em uma comunidade repleta de amor de Jesus, o cuidado seria exercido não somente do pastor para o rebanho, mas de todos para com todos, produzindo uma atmosfera de harmonia, respeito e encorajamento contínuos;
Os pecados seriam confessados com mais liberdade, porque a comunidade exerceria misericórdia à medida que cresce na compreensão do amor de Jesus por pecadores imperfeitos. Com mais confissão, haveria mais cura e melhor percepção de santificação entre os membros.
Por causa do amor pela comunidade, todos os seus membros abraçariam uma postura de responsabilidade pessoal, comprometendo-se pelo bem-estar uns dos outros. Nossas forças individuais, somadas, tornariam possível apoiarmos nossos irmãos e a comunidade seria cada vez mais fortalecida.
A presença de Jesus, revelada na comunhão dessa comunidade, fortaleceria nosso testemunho e moveria a igreja a, coletivamente, trabalhar pela evangelização e discipulado, cumprindo a Grande Comissão.
Eu oro para sermos essa igreja cheia do amor de Jesus.
E me uno a Cristo nessa mesma oração.
Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. João 17.20.21
...
Se nesse ponto do sermão você foi encorajado a fazer parte disso, mas não sabe como começar, veja como Paulo orienta a comunidade a "encarnar o amor de Jesus":
Portanto, como povo escolhido de Deus, santo e amado, revistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência. Colossenses 3:12 (NVI)
A lista, obviamente, não é exaustiva, mas é um começo promissor para quem deseja dar um passo a mais no compromisso com o amor de Jesus.
Exerça compaixão genuína pelos irmãos.
Seja bondoso no trato e pronto para socorrer.
Seja sempre humilde e ensinável.
Seja manso e respeitoso.
Seja paciente.
Há outras formas? Obviamente! Na prática, tudo se resume a viver a ética do amor ensinado por Jesus. Sendo assim, nos inúmeros desafios que não foram listados, AME COMO CRISTO AMOU!
Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito. Colossenses 3:14 (NVI)
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À medida que abraçamos esse compromisso, nos tornaremos uma comunidade cada vez mais saudável, forte, onde há abundância de graça.
Que Deus nos ajude a crescermos ainda mais nisso.
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Bem, vocês conhecem o pastor de vocês.
Eu não perdi a chance de responder a pergunta daquela senhora.
CONCLUSÃO
Quando ouvi a pergunta, minha resposta foi objetiva, principalmente, por levar em conta aquilo que vivemos aqui como membros da IPR. Eu lhe disse assim:
"Olha, eu aprendi que toda igreja local é uma comunidade de pecadores, que deixa de ser perfeita a partir do momento que entramos nela. Mas ela pode ser saudável, sim, à medida que o amor de Jesus vai transformando essas pessoas que fazem parte dela".
E completei: "Jesus disse que veio para os enfermos.
Infelizmente, falta humildade em alguns corações para reconhecermos isso".
...
Hoje, quando chego para mais uma sessão de oxigênio, eles já sabem que é "o pastor que chegou". O amor que recebo aqui, de alguma forma, pode ser comunicado para eles.
Esse é o jeito usado por Jesus para
levar sua Palavra ao mundo, através
de cada coração imperfeito que ele redimiu.
Então, existem igrejas saudáveis? Sim, não tenho dúvidas.
Quando nos reunimos para um churrasco de amigos e começamos a cantar louvores a Deus, percebo como o amor de Jesus pode tornar coisas comuns em extraordinárias.
Quando restauramos um irmão e lhe damos novas chances, estamos lavando seus pés e entregando a ele a mesma misericórdia que Cristo teve por nós.
Quando saímos entre irmãos para um encontro de amigos, onde podemos ser vulneráveis uns com os outros, e mesmo assim, continuamos sendo amados, percebo o quanto o amor de Jesus é poderoso para redimir nosso senso de valor e nos ensinar a humildade.
Esse é o poder do amor de Jesus.
O amor perfeito, de um Cristo perfeito,
que forma uma comunidade perfeitamente imperfeita.
Então, eu sigo constantemente fazendo meu tratamento com esses imperfeitos que Jesus chamou. Nem sempre estar rodeado deles é legal, mas, semana após semana, eu os amo ainda mais, aprendo com eles e sigo na esperança de que um dia seremos completamente curados pelo amor perfeito de Jesus. Até todos sermos um.
Se você, como eu, precisa de perdão e transformação,
sempre há espaço no coração amoroso de Jesus
para aqueles que o buscam com arrependimento e fé.
Não só no coração de Jesus,
mas na comunidade que ele amou.
Então, vem!

Pastor Sérgio Fernandes
Pastor Titular da IPR




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