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DESPERTE DO SONO - Sermão de 08/11/2026

há 2 dias
10 min de leitura

Atualizado: há 2 horas



Façam isso, compreendendo o tempo em que vivemos. Chegou a hora de vocês despertarem do sono, porque agora a nossa salvação está mais próxima do que quando cremos. A noite está quase acabando; o dia se aproxima. Portanto, deixemos de lado as obras das trevas e revistamo‑nos da armadura da luz. Vivamos decentemente, como à luz do dia, não em orgias e bebedeiras, não em imoralidade sexual e devassidão, não em desavença e inveja. Ao contrário, revistam‑se do Senhor Jesus Cristo e não fiquem pensando em como satisfazer os desejos da carne. Romanos 13.11-14


INTRODUÇÃO


Eu sou um fã declarado de histórias de fantasia. E tenho na lista das minhas favoritas o clássico "O Senhor dos Anéis" (em especial, a primeira trilogia cinematográfica).


Em O Senhor dos Anéis: As Duas Torres, o segundo filme, Théoden é o rei de Rohan. Porém, quando a história começa a se aproximar de seu reino, ele já não parece o rei que deveria ser.


Théoden está enfraquecido, envelhecido e profundamente abatido. Ele permanece sentado em seu trono, dentro do grande salão, mas parece distante da realidade que acontece ao seu redor.


Seu reino está ameaçado, seus inimigos avançam e decisões importantes precisam ser tomadas, mas o rei está praticamente paralisado.


É uma imagem poderosa: o rei está vivo, mas não está vivendo e governando como um rei deveria.


Uma história que pode facilmente aludir a nossa própria vida cristã



UMA PALAVRA A CRISTÃOS SONOLENTOS


Escrevendo aos romanos, Paulo dedica a primeira porção da epístola para tratar de temas doutrinários relacionados ao evangelho de Cristo e a partir do capítulo doze, ele traz as implicações dessa doutrina para um chamado prático para vivermos a fé cristã.


No capítulo 13, Paulo orienta os cristãos sobre a obediência as autoridades e aponta o amor ao próximo como o cumprimento da lei.


Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns pelos outros, pois aquele que ama ao seu próximo cumpriu a lei. Pois estes mandamentos: “Não adultere”, “Não assassine”, “Não furte”, “Não cobice”, e qualquer outro mandamento, todos se resumem neste preceito: “Ame ao seu próximo como a você mesmo”. amor não pratica o mal contra o próximo. Portanto, o amor é o cumprimento da lei. Romanos 13.8-10

É nesse contexto que Paulo fala ao coração dos crentes romanos. É como se ele estivesse olhando para eles como reis semelhantes a Théoden, sonolentos e desapercebidos e quisesse com todo empenho livrá-los desse estado de torpor espiritual.


Esse é o contexto dos versos que estudaremos nessa manhã.


Façam isso, compreendendo o tempo em que vivemos (...) Rm 13.11a

Qual é o tempo que vivemos?

A expressão grega para tempo é καιρός (kairós).

Não é um tempo cronológico ou data específica,

mas o tempo conforme o calendário divino.


O tempo entre o advento e a volta de Cristo.


Jesus encarnou, viveu, morreu,

ressuscitou, voltou aos céus, reina

e um dia voltará com poder e glória.


A historia caminha para o fim.

Isso deve impactar profundamente

a forma como vivemos.


(...) Chegou a hora de vocês despertarem do sono (...), Rm 13.11b

Essa advertência de Paulo é desafiadora.

Ele não está falando para incrédulos, mas para cristãos.


Pessoas que como nós se arrependeram

dos seus pecados e creram em Jesus.


Mas que agora precisam "despertar do sono".


A palavra grega para "despertar" é ἐγείρω (egeirō). Ela traz um sentido de levantar-se, despertar, erguer. É realmente a imagem de alguém sonolento e que precisa acordar.


Paulo não está brigando por causa de um bom cochilo viu?

Um soninho é algo gostoso (principalmente depois do almoço de domingo).


Ele está alertando sobre um tipo de sono que chega e a gente nem percebe:

o sono da apatia espiritual.


Ele não está afirmando que falta salvação à esses crentes.

Mas está apontando a indiferença em que se encontram.


...


(...) porque agora a nossa salvação está mais próxima do que quando cremos. Rm 13.11c

Paulo, como bom argumentador (tenho certeza de que ele era colérico) não apenas traz um diagnóstico, mas também a justificativa para exigir deles uma postura diferente: a salvação estava mais próxima do que quando creram.


O que ele quis dizer com isso?

A salvação não foi consumada por Cristo na cruz?

Foi! E por que ele afirma que agora ela está "mais próxima"?


Porque os apóstolos compreendiam a realidade da salvação em três tempos:


  • Primeiro, nós fomos salvos da culpa do pecado quando cremos em Jesus. Ele levou sobre si as nossas iniquidades e sofreu a pena por elas. Por essa obra, não há mais condenação para quem crê em Jesus (Rm 8.1);

  • Segundo, estamos sendo, nesse momento, salvos do domínio e dos efeitos do pecado. A medida que crescemos na fé e no conhecimento da Palavra de Deus, o poder influenciador do pecado vai sendo enfraquecido e a nossa santificação vai sendo paulatinamente desenvolvida, Fp 2.12,13; Hb 12.14.

  • Por fim, seremos (tempo futuro) salvos da presença do pecado, quando Cristo voltar e recebermos corpos glorificados . É isso que Paulo tem em mente no texto em estudo. O Dia do Senhor se aproxima (seu retorno glorioso), quando receberemos o mesmo tipo de corpo glorioso que Jesus recebeu quando ressuscitou dentre os mortos.


“Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas.” Filipenses 3.20–21

...


É nisso que cremos: a história caminha para a consumação, nós estamos do lado vencedor, mas, aparentemente, nos encontramos em um estado de torpor espiritual...


Sentados no trono, mas sem reinar...

Como Théoden...



DEIXANDO AS OBRAS DAS TREVAS


Então, veja que Paulo fez um alerta à crentes, não para incrédulos. A preocupação dele não é que os de fora estavam dormentes, mas os de dentro. Ele segue, então, seu argumento:


A noite está quase acabando; o dia se aproxima. Rm 13.12a

Aqui, Paulo usa uma metáfora poderosa: a "noite" significa a presente era onde o mundo ainda está debaixo do pecado e das trevas. Esse tempo está chegando ao fim.


Mas o Dia se aproxima: a expressão "dia" significa o tempo da manifestação de Cristo com esplendor e glória. O tempo em que os que pertencem a Deus reinarão para sempre com Ele.


Então, se o Dia do retorno de Cristo se aproxima, há um claro encorajamento para vivermos nossas vidas segundo essa realidade.


Era como se Paulo dissesse assim: cada segundo que passa nos aproxima do Dia em que Cristo voltará. Será que isso não nos encoraja a vivermos para Ele?


Associar a volta de Cristo com a urgência da santificação é um pensamento apostólico que preenche várias porções do Novo Testamento, como João fez no Apocalipse.


Continue o injusto a praticar injustiça; continue o imundo na imundícia; continue o justo a praticar justiça; e continue o santo a santificar‑se. ― Eis que venho em breve! A minha recompensa está comigo, e retribuirei a cada um de acordo com o que fez. Apocalipse 22.11,12

Paulo desenvolve essa ideia na sequência do texto. Finalmente entendemos qual apatia Paulo pretendia combater: era uma indiferença diante da necessidade de santificação.


(...) Portanto, deixemos de lado as obras das trevas e revistamo‑nos da armadura da luz. Rm 13.12b

O cristianismo não se trata apenas de entusiasmo espiritual, ele exige uma dimensão de mortificação que não pode ser ignorada por aqueles que afirmam crer em Jesus.


Existe algo para ser deixado para trás.


Nas epístolas, Paulo exemplificou a nova vida

em Cristo usando a linguagem de despir-se

e se revestir:


Quanto à antiga maneira de viver, dispam‑se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, para serem renovados no modo de pensar e se vestirem do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e santidade provenientes da verdade. Ef 4.22-24.

Então, os crentes de Roma precisavam se despir da velha vida de pecado (característica do tempo em que viviam sem fé e longe de Jesus), para se revestirem da "armadura da luz".


Paulo gosta da imagem da armadura. Ele já a usou escrevendo aos Efésios (Ef 6.13-18). Aqui, ela traz a ideia de assumir de fato o padrão de uma vida redimida e "despertada".


Afinal, existe um compromisso a ser assumido.


...


Então, ao andarmos com JESUS, precisamos DESPERTAR:

Abandonar o pecado e assumir compromissos com o Senhor.

Esse é o cristianismo.


É hora de acordar Théoden!


...


Sem milongas (eu aprecio isso nos textos paulinos), o apóstolo agora passa a destacar o tipo de vida que pessoas que estão aguardando Jesus devem viver.


E aqui, vale uma janela. Guarde essa afirmação,

ela vai servir muito em sua caminhada com Jesus:


As pessoas vivem de acordo com suas perspectivas espirituais.

Quem quer morar no céu, vive como um cidadão de lá.

Quem não deseja estar com Deus, vai viver como se Deus não existisse.


Vivamos decentemente, como à luz do dia, não em orgias e bebedeiras, não em imoralidade sexual e devassidão, não em desavença e inveja. Rm 13.13

A palavra grega εὐσχημόνως (euschēmonōs), que traduzimos como "decentemente", significa viver de forma apropriada, honrosa, decorosa.


É o retrato da vida redimida; diferente das obras das trevas.

Uma vida Coram Deo. Que não tem nada a esconder porque

vive para louvor da glória de Deus.


Então, Paulo enumera três pares de comportamentos que compõe a vida de apatia que ele está combatendo.


São comportamentos de um crente que está sonolento, despreocupado com a vinda de Cristo e sem perspectivas a respeito da eternidade.


  • Orgias e bebedices: aqui, há uma repreensão para a vida de excessos que caracteriza alguém que está sendo governado pela tirania do prazer e não pelo senhorio de Jesus Cristo. A vida no pecado é dominada pelos excessos; a vida redimida é marcada pelo domínio próprio e moderação.

  • Imoralidade sexual e devassidão: Aqui, Paulo repreende a conduta sexual ilícita. "Imoralidade" refere-se a qualquer ato sexual fora do casamento. "Devassidão" está relacionado à sensualidade desenfreada e ao comportamento sexual sem freios. É uma condição onde o prazer sexual passa a governar a vida da pessoa. Lembre-se: Deus criou a sexualidade e estabeleceu o matrimônio como seu lugar legítimo.

  • Desavença e inveja: diz respeito a disputas, ciúmes e rivalidades nas relações pessoais. Veja como Paulo sai de um grupo de comportamentos mais "escandalosos" e migra depois para pecados "socialmente aceitos". A igreja pode rejeitar veemente a embriaguez e a imoralidade sexual e, ao mesmo tempo, estar cheia de contendas e ciúmes. Paulo coloca tudo no mesmo campo das “obras das trevas”.


...


Irmãos, percebam que o risco espiritual não está tão distante da gente. Nenhum de nós deveria ignorar tais advertências com aquele sentimento de "ah, isso não é comigo".


Essa autossuficiência é, na minha opinião,

o principal sinal do "sono" do qual devemos despertar.


Assim, aquele que considera estar de pé, cuide‑se para que não caia! 1Coríntios 10:12 (NVI)

Nesse tempo em que vivemos uma pressão cultural, social e política tão forte, podemos ser facilmente atraídos a tentar normalizar coisas que Deus odeia.


Quando o coração do crente se esquece que o mundo não é o lar dele, o pecado encontra ocasião para reassumir o controle que foi quebrado quando recebemos Cristo como Senhor.


E o que podemos fazer para DESPERTAR DESSE SONO?


...



REVISTAM-SE DE JESUS


Aqui, Paulo chega no âmago da sua exortação. Ele apontou o problema e agora traz a única solução possível a esse: revestir-se de Jesus.


Ao contrário, revistam‑se do Senhor Jesus Cristo e não fiquem pensando em como satisfazer os desejos da carne. Rm 13.14

A ética cristã não nos convida simplesmente a acrescentarmos mais virtudes na vida ou vivermos isolados do mundo para não pecarmos contra Deus. Ela aponta a verdade mais transformadora de nossa fé:


Só em Jesus nosso coração pode ser transformado. É através da união com Cristo, pela salvação, que recebemos uma vida espiritual que nos capacita a vencermos as inclinações da carne e crescermos na santificação.


...


Pastor, sou um crente em Jesus e tenho sido constantemente derrotado pelo pecado.

O que está acontecendo comigo?


Você pode ser alguém que creu em Jesus e ficou entusiasmado com a fé, mas que enfrenta desafios constantes para se revestir de Cristo. Quando você se deixa vencer continuamente nessa batalha e perde o desejo de lutar, isso pode mantê-lo em um estado de apatia espiritual.


O cristão, quando encontra-se "sonolento" , deixa esse sinal evidente, que com humildade e autoexame honesto podem ser facilmente identificado:


A falta de paixão genuína por Cristo.

Quando o interesse por Jesus diminui, o restante vem "de brinde":


  • O abandono gradual da leitura bíblica e da prática da oração;

  • O abandono do serviço cristão e dos ministérios;

  • O desleixo com o culto cristão e o abandono das reuniões de adoração e oração;

  • A falta de convívio com outros irmãos na fé, que o impede de ser encorajado e exortado;

  • Então, o pecado, antes abandonado, começa novamente a crescer no coração, levando a quedas cada vez mais significativas e constantes.


Essa pode ser sua situação meu irmão.

Mas há esperança real na graça de Cristo para você.


...


Paulo não trata o sono espiritual como uma sentença de morte,

mas como um alerta para nos despertar para aquilo que realmente interessa:


Cristo virá outra vez.

E Ele deseja nos encontrar prontos para nos reunirmos com Ele!


― Saindo elas para comprar óleo, chegou o noivo. As virgens que estavam preparadas entraram com ele para o banquete nupcial. E a porta foi fechada. Mateus 25:10 (NVI)

Desperte nessa manhã, em nome de Jesus Cristo.



CONCLUSÃO



É interessante que, no filme "Senhor dos Anéis, As Duas Torres", Théoden não consegue livrar-se da sua condição por suas próprias forças. Contaminado pelo seu conselheiro, Grima, ele segue a história nesse estado de torpor, até que surge quem pode livrá-lo de sua condição: Gandalf, o Branco.


Gandalf, na história, é um mago que se sacrifica para derrotar um demônio Balrog e retorna para salvar seus amigos em meio a guerra pela Terra Média.


Foi o Gandalf ressuscitado que livrou Théoden de sua condição.


É uma bela alegoria nessa reflexão:

Jesus é o nosso "Gandalf", aquele que ressuscitou para nos despertar do sono!


Por determinação soberana de Deus e por amor ao seu povo, Jesus se fez carne, veio ao mundo e, na cruz, ofereceu a si mesmo para perdoar os nossos pecados. Ali, sofreu a ira de Deus em nosso lugar, levando sobre si a condenação que era nossa. Ressuscitou dentre os mortos, vencendo a morte e confirmando a obra da nossa redenção, para que, pela fé nele, fôssemos justificados diante de Deus.


Théoden ficaria no sono eterno sem Gandalf.

Nós estaríamos eternamente perdidos sem Jesus Cristo.


Nessa manhã, te faço um apelo pastoral: desperte do sono!

Seja você um crente adormecido ou alguém que nunca abriu

os olhos para enxergar as maravilhas da graça de Deus.


Cristo está presente em meio ao Seu povo

para abrir nossos olhos e despertar nossos corações.


Eu quero ser despertado por Jesus...


Afinal...

não há sono no inferno...



Pastor Sérgio Fernandes

Pastor Titular da IPR



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