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O DEUS DESCONHECIDO - Sermão de 07/07/2026




"E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós." João 14.16,17


INTRODUÇÃO


Queridos, em 2025, eu comecei a realizar uma prática que acabou se tornando parte da minha agenda mensal: um encontro com amigos para podermos conversar e descarregar medos, angústias e frustrações.


Nesses encontros, tenho descoberto coisas sobre eles que talvez eu nunca saberia de outra forma. Gostos pessoais, TOCs, dilemas, ambições, objetivos.


Chatices... muitas chatices.


E uma pergunta surge a cada novo encontro: eu nunca imaginei que essa pessoa fosse assim. Como pude estar ao lado dela tanto tempo sem ter percebido isso?


Pois é. Proximidade é uma coisa, conhecimento é outra.


...


Eu pensei muito nisso quando decidi mudar por algumas semanas o tema de nossas reflexões dominicais.


Esse mês falaríamos sobre como gerir recursos e dinheiro para glória de Deus.

Mas senti uma forte inclinação para conversar com vocês sobre o Deus desconhecido: O Espírito Santo.


Como podemos ignorar e desconhecer

Alguém que mora dentro de nós?


Pare um pouquinho e me responda:

Você saberia me explicar se o Espírito Santo é Deus ou um mero poder?

Conseguiria falar sobre a relação dele com Jesus e com o Pai?

Sabe de que modo Ele atua na vida dos cristãos?


E, saindo da teoria e partindo para uma pergunta mais devocional:

Em seu culto a Deus, nas orações, na vida devocional, o Espírito Santo é mencionado por você?


Você percebe como cada pergunta dessa gera um engasgo estranho?

Não deveria. O Espírito é Deus, Ele mora dentro de nós, mas parece

realmente que, por inúmeras razões, ignoramos sua realidade em nossas vidas.


O desejo expresso de Jesus nos evangelho era de que os discípulos pessoalmente e intimamente conhecessem o Espírito Santo.


Como amigos que se assentam na mesa.


Então, como o desejo de Jesus não pode ser ignorado pelos seus discípulos, vamos refletir um pouco sobre o que fez o Espírito se tornar para muitos de nós "o Deus Desconhecido".



O que tornou o Espírito o Deus desconhecido?



Quando olho hoje para meus amigos que mensalmente se encontram comigo, fico abismado em pensar o quão pouco eu os conhecia de fato. O Arley gostar de anime? Meu Deus! O William quase ter encontrado Jesus em um acidente recente? Como assim? O Rodrigo... bem... o Rodrigo... Senhor?


Mesmo estando tanto tempo com eles, eu não sabia praticamente nada a respeito de suas vidas reais. Carregava apenas as imagens gravadas na memória em cada encontro semanal de adoração aqui na IPR.


Eu estava com eles, sem conhecê-los.

Proximidade é uma coisa, conhecimento é outra.


...


Talvez esse seja o primeiro motivo de não conhecermos tão bem o Espírito Santo. Como vimos nas palavras de Jesus, o Espírito Santo executaria um trabalho interior, habitando nos discípulos de Cristo.


Por sua própria natureza espiritual, Ele não pode ser visto. Mas pode ser experimentado.


"O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito. Jo 3.8

Assim como o vento, o Espírito é uma influência real, porém invisível.


E, em nosso mundo, tão repleto de cores e estímulos, lidar com essa realidade invisível pode ser uma experiência desafiadora.


Então, não é que o Espírito esteja longe demais para ser conhecido.

É que Ele ficou tão perto que praticamente nos acostumamos com Ele.

E sempre que algo se torna comum, pode ser ignorado e até banalizado.


...


Essa ignorância talvez seja resultado de uma incompreensão com a própria natureza do evangelho. Nossa proclamação evangélica anuncia:


  • Uma pessoa: Cristo;

  • Uma obra: sua morte substitutiva na cruz e sua ressurreição;

  • Um resultado: a reconciliação de pecadores com Deus;


Costumamos parar aqui.

Mas essa não é toda a história da redenção.


Tudo o que Cristo fez tinha como objetivo não apenas reconciliar o homem com Deus, mas permitir que recebêssemos pela fé o Espírito prometido. Essa é a mensagem do Novo Testamento:


Pelo evangelho, Cristo nos deu acesso à benção prometida à Abraão (Gn 12.1-3), onde Ele nos reconciliou com Deus e, pelo Espírito, aplicou sobre nós a sua vitória na cruz. Por essa vitória, recebemos pessoalmente o Espírito.


Por meio de Cristo Jesus, os gentios foram abençoados com a mesma bênção de Abraão, para que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido. Gálatas 3:14 (NVT)

O evangelho nos deu um selo de propriedade, o próprio Espírito prometido, que identifica que somos filhos de Deus e pertencemos a Ele.


Agora vocês também ouviram a verdade, as boas-novas da salvação. E, quando creram em Cristo, ele colocou sobre vocês o selo do Espírito Santo que havia prometido. Efésios 1:13 (NVT)

O evangelho anuncia que Cristo enviou sobre nós o Espírito prometido, derramando-o abundantemente sobre Seu povo eleito. Esse derramar do Espírito é a benção da Nova Aliança: Ele torna possível vivermos a plenitude das bençãos de Cristo.


Ele foi exaltado ao lugar de honra, à direita de Deus. E, conforme havia prometido, o Pai lhe deu o Espírito Santo, que ele derramou sobre nós, como vocês estão vendo e ouvindo hoje. At 2.33

Então, perceba que à luz das Escrituras,

a proclamação do evangelho não deveria terminar no túmulo vazio,

mas no Espírito enviado.


O evangelho bíblico enfatiza a obra do Espírito como resultado da exaltação de Cristo e de Sua obra na cruz do Calvário.


...


Isso talvez não se pareça nada com a realidade que vivenciamos no cristianismo moderno (e falo com temor e tremor que talvez seja a nossa própria realidade local).


Embora o Espírito seja o próprio Deus (At 5.4), a benção prometida aos patriarcas (Gl 3.14) e aquele que nos revela a salvação (Jo 16.8), talvez ele ocupe uma ou duas aulas no curso de discipulado e nunca mais sequer seja lembrado em nossa vida cotidiana e devoção.


Ou é tratado de forma muito diferente do que as Escrituras (e o curso de discipulado) ensinam.


Dois riscos enormes... que estão pertinho de nós.


...


Por isso, conhecer o Espírito é uma urgência.

Temos consciência que Ele está perto... mas está sendo ignorado.


Então, assim como qualquer amizade esfriará se não houver interesse e relacionamento reais, esfriaremos nossa comunhão com o Espírito se intencionalmente não quisermos glorificar a Jesus Cristo conhecendo esse presente que Ele nos enviou.


Não entristeçam o Espírito Santo de Deus, o selo que ele colocou sobre vocês para o dia em que nos resgatará como sua propriedade. Efésios 4:30 (NVT)

Eu temo sinceramente que o Espírito esteja "triste" conosco.

Não somente pela negligência ou ignorância, mas pelo fato de que os espaços de nosso coração sempre serão ocupados.


Se não por Ele, por outras coisas que não dão vida.


Será que ao longo do mês, fico sinceramente ansioso por um novo encontro de amigos, para ter um tempo de qualidade, de boa conversa, de comunhão?


Detalhe: só aqui eu já não estou falando dos meus amigos chatos.


Estou falando do Amigo Espírito Santo.

Será que tem espaço na minha agenda para Ele?



Um Divino CONSOLADOR



Bem, muito mais que um Amigo.

O Espírito Santo é Deus.

O Deus Presente. O Deus dentro de nós!


E conhecê-lo leva tempo. Em meus encontros mensais com os amigos, sempre aprendo coisas novas.


E talvez uma vida inteira não me ensine tudo sobre eles.


Assim é com o Espírito Santo.

Eu precisaria de toda a eternidade para conhecê-lo, então, nem ouso em ser leviano em pensar que um sermão de domingo resolverá esse nosso desafio.


Mas talvez essa manhã seja como um primeiro encontro.

Uma primeira agenda. Uma primeira mesa.

Uma primeira oportunidade para dizer:


"Espírito Santo, eu ando um pouco ausente, mas quero recomeçar sinceramente".


Porque o relacionamento vem primeiro.

O conhecimento vem com o tempo.


...


E já que iremos juntos recomeçar, sinto que o necessário a ser ensinado nessa manhã está justamente no texto de introdução do sermão.


O contexto desses versículos foi assim: Jesus estava prestes a voltar para os céus. Então, Ele faz um discurso de preparação e despedida.


Os discípulos estavam tão tensos como vocês estão hoje.

Como será a vida sem a presença de Jesus?

Será que ainda veremos milagres acontecendo?

Quem vai nos ensinar daqui pra frente?


Jesus então não responde com uma lista de tarefas do que deve ser feito em sua ausência, mas com o anúncio da chegada de uma Pessoa divina.


E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, Jo 14.16

Nenhuma definição teológica confusa.

Apenas afirmações breves e objetivas.


Primeiro, Jesus introduz a chegada do Espírito com um pedido especial feito ao Pai.

A vinda do Espírito não é um acaso, mas fruto da relação de Jesus com Seu Pai.

Algo que fez Cristo interceder a nosso respeito.


Jesus sabia que o Espírito era a resposta para a angústia daqueles discípulos.

E para as nossas inúmeras angústias também.

Por que dores a gente não cura com coisas... mas com relacionamentos.


...


Jesus é cuidadoso também em nos garantir que esse Amigo seria o Consolador.

Aqui não se trata de um mero adjetivo, mas de um título.


Nós costumamos intitular amigos para conseguirmos descrevê-los.

Sabe o Careca? O Magrelo? O pão duro?


Títulos condensam verdades amplas.


Talvez, por isso, a escolha do título 'Consolador' seja tão significativa no texto.

Jesus era, por si só, o Messias Consolador.

Mas agora Ele pede para o Pai enviar "outro Consolador".


A palavra "outro" vem do grego 'allos' que significa "outro do mesmo tipo".

Pensando na conversa entre amigos, era como se Jesus dissesse assim:


"Estou enviando um dos nossos. Um semelhante a mim".


Assim como Jesus é Deus, o Espírito também é!

Os discípulos não deveriam reconhecê-lo apenas como força ou influência.

Ele não veio para dar arrepios. Veio para estar conosco pessoalmente.

Semelhante a Jesus. Mas de outro jeito.


...


Já 'Consolador' é a tradução do grego 'parakletos' que pode ser traduzido de muitas formas: Advogado, Auxiliador, Conselheiro, Intercessor e Encorajador.


Qualquer um desses títulos poderia ser atribuído a Jesus sem reserva alguma.

Mas Jesus os atribui ao Espírito Santo.


Então, Jesus não entendia sua partida como uma ruptura no consolo e na presença de Deus entre os discípulos, mas como uma nova dimensão.


Sendo assim, o que Jesus foi para os apóstolos, em sua encarnação

o Espírito seria para toda a comunidade cristã, de outro modo.


Guarde essa expressão "de outro modo".

Explicarei ela adiante.


...


Os efeitos da presença do Espírito Santo podem ser medidos na história da Igreja.

Quando penso em todos os desafios que a comunidade cristã enfrentou em sua história, percebo com muita clareza que Jesus não se enganou ao afirmar que o Espírito seria esse amigo divino e consolador.


A Igreja sobreviveu a perseguições, impérios, batalhas espirituais e segue viva até hoje.

Qual a razão disso?


Ela não esteve sozinha na arena.

O Outro Consolador sempre esteve com ela.


E isso é tão significativo porque podemos ver a obra do Espírito por esse olhar macro, mas o micro importa também.


Deus não lida apenas com tensões mundiais,

mas com corações aflitos como os nossos também.


Como Deus, o Espírito conhece nossas angústias, lágrimas, dores e aflições.

Ele está ao nosso lado na luta contra o pecado, nos inclinando para as coisas do alto.

Ele nos ajuda em nossas fraquezas, como um amigo faria.


Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. Romanos 8:26 (ARA)

Mas como essa obra acontece dentro de nós, muitas vezes ignoramos que quem faz isso é o próprio Espírito Santo.


Apesar de ignorado, Sua obra é real e perceptível.


Só precisamos prestar atenção e ver que cada novo anseio por Cristo é resultado do trabalho sublime que Ele faz. E render a Ele glórias por isso!


...


Mas como disse anteriormente, ao referir-se ao Espírito,

Jesus utilizou um título que condensou muitas verdades.


Mas havia outra verdade importante que Jesus queria que soubéssemos.

E sabe como Ele nos explicou a respeito dela.


Dando um segundo título para o Espírito.


Porque amigos podem ter dois títulos também.

O Careca pode ser também o Coração Peludo.

O Magrelo pode ser também o Amigão da Vizinhança.

E o Pão Duro, quem será?



Um AMIGO VERDADEIRO



Afirmei anteriormente que títulos condensam verdades.

Jesus afirmou que o Espírito seria o Consolador.

Agora, Ele mesmo introduz um segundo título.


É o Espírito da verdade. O mundo não o pode receber, pois não o vê e não o conhece. Mas vocês o conhecem, pois ele habita com vocês agora e depois estará em vocês. Jo 14.17

...


Eu sinceramente gosto desse título divino.

Por que para mim, a verdade importa.


Você percebeu a tensão que vivemos hoje no mundo?

Tantas pessoas falando, tantas vozes comunicando, tantas ideias concorrentes disputando um espaço em nosso coração.


Como poderemos discernir a verdade do engano?


O que me impressiona em Jesus é a consistência de sua mensagem.

Mais uma vez, ele resolve essa questão não nos dando um manual de discernimento entre verdade e mentira, mas solucionando a questão novamente apenas nos apresentando uma Pessoa:


O Espírito da Verdade.


Não há coincidências aqui, há revelação.


Veja:


Jesus chamou Seu Pai de Deus Verdadeiro


E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. Jo 17.3

Ele próprio é a Verdade encarnada que nos conduz ao Deus Verdadeiro


Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém pode vir ao Pai senão por mim. Jo 14.6

E o Espírito Santo é o Espírito da Verdade, que procede do Pai e do Filho e que dá testemunho da Pessoa e da salvação em Jesus Cristo.


“Mas eu enviarei a vocês o Encorajador, o Espírito da verdade. Ele virá do Pai e testemunhará a meu respeito. João 15:26 (NVT)

...


Essa "Verdade" (desculpe o trocadilho) prepara caminho para a tensão que Jesus trará na continuidade do verso.


Embora o Espírito seja o Deus Consolador e o Deus verdadeiro, nem todos o recebem ou participam das bençãos que Ele oferece gratuitamente.


E o problema está diretamente relacionado ao nosso coração.


Jesus fala em categorias absolutas porque está falando da realidade como ela é diante de Deus: luz e trevas, verdade e mentira, vida e morte.


Por isso, Jesus é verdadeiro quando afirma que há um grupo de pessoas que não pode receber o Espírito e não o conhece: Ele os chama de "mundo".


Por que razão o mundo não pode receber o Espírito?

Porque não se submete à Verdade.

Jesus expõe com franqueza a depravação de nosso próprio coração.


...


Uma pausa aqui para uma memória pessoal.

Eu não nasci religioso.

E por 17 anos de minha vida, fui o cara mais antagônico

com religião que você poderia imaginar.


Principalmente quando o assunto girava em torno

das afirmações cristãs sobre salvação, céu e inferno.


Eu, "de verdade", pensava entender mais do assunto que o próprio Jesus.

Esse é o problema não apenas da sociedade atual, mas de toda a raça humana.


Nosso coração está tão cheio de nossas próprias verdades (que apenas refletem nossos valores terrenos e pecaminosos) que não sobra lugar para a Verdade que pode nos salvar.


Os corações são recipientes que nunca se esvaziam.

Ou ele está preenchido com o Deus Verdadeiro ou com nossas próprias

verdades. Eles não cabem no mesmo espaço.


Essa é a doença do "mundo", isto é, daqueles que não receberam ainda o Espírito da Verdade. Não é apenas uma doença da modernidade.

É uma doença da humanidade.


Os tolos dizem em seu coração: “Não há Deus”.São corruptos e praticam o mal; nenhum deles faz o bem. O Senhor olha dos céus para toda a humanidade, para ver se alguém é sábio, se alguém busca a Deus. Todos, porém, se desviaram; todos se corromperam. Ninguém faz o bem, nem um sequer! Salmo 14.1-3

...


A questão é, enquanto seres humanos, somos incapazes

de superar essa condição terrível em que nos encontramos.


O nosso modo "original de fábrica" está com o coração de tal forma contaminado pelo pecado que ele simplesmente ignora a beleza da glória de Deus.


Precisamos então de um recurso que não encontramos em nós mesmos.

O Espírito da Verdade é o único que pode curar nosso coração e preenchê-lo!


Ele nos conduz à Verdade.

Ele transforma pessoas do mundo em pessoas de Cristo (que ainda são pessoas)

Ele nos revela a obra de Cristo. E através dela, faz inimigos se tornarem amigos.


Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei. Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo. João 16.8

Você percebeu o peso das palavras de Jesus?

O nosso destino eterno está atrelado a esse trabalho do Espírito em nosso coração.

Se Ele não nos convencer da verdade, morreremos em nossos pecados e sem esperança alguma de salvação.


Mas eu rendo graças a Deus porque aprendi

que amigos falam a verdade.


...


E esse Amigo, o Espírito Santo, falou a verdade:

Ele me convenceu do triste estado do meu coração.

Me mostrou o caminho de justiça que nos foi revelado: Cristo.

E o Seu triunfo final que me dá acesso à mesa da redenção.


...


E ninguém permanece o mesmo quando chega na mesa do Cordeiro.

Quem senta a mesa olha com mais atenção. Sente. Percebe. Vivencia.

Desde que comecei a ter um tempo para sair com os amigos, diversas coisas foram mudando dentro de mim. Sem neuras, sem pressões, sem cobranças.


Parece que a mesa tem esse

poder de tornar o desconhecido em conhecido.


Por que a amizade não termina quando o encontro acaba.

Em cada novo encontro, carregamos um pouco mais dos amigos dentro de nós.


Lembra que falei anteriormente para guardar essa palavra: "dentro".

Ela nos ajudará muito na conclusão do sermão.



CONCLUSÃO


Você se lembra que falei que a amizade permite que carreguemos nossos amigos dentro de nós? Que coisa linda!


Jesus sugeriu algo parecido quando falou do Espírito Santo.

Ele afirmou que o Espírito habitaria conosco e estaria dentro de nós.


Vou repetir: Dentro.


Jesus não está simplesmente reduzindo essa verdade dizendo que nós somos um potinho que guarda o Espírito dentro de si.


Não!


Essa ideia alude à uma promessa específica feita no Antigo testamento e que se cumpre na Nova Aliança.


Uma promessa de corações que seria curados.

E de um Deus que não poderia mais ser ignorado ou esquecido.

Porque Ele estaria DENTRO.


Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis. Ezequiel 36.26,27

No Antigo Testamento, Deus habitava em tendas e templos.

Em Cristo, Deus habitou entre nós.


Jesus estava dizendo que a Nova Aliança colocaria

Deus o mais perto possível dos homens.


Dentro deles. De corações que precisam de perdão, cura e restauração.

De corações que se tornariam "casa" ou "santuário" do Deus Verdadeiro.


Respondeu Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada. João 14:23 (ARA)

Hoje, pelas bençãos da Nova Aliança, o Espírito nos proporciona a benção de carregarmos o Deus Triúno dentro de nós.


Eu muitas vezes carrego meus amigos dentro de mim.

Nas boas risadas. Nos pedidos de oração. No encorajamento contínuo.


Mas Jesus está dizendo que o Pai, o Filho e o Espírito estão dentro de nós.


É uma presença grande demais para ser ignorada, concordam?

Então, talvez a questão não seja apenas que tratamos o Espírito como Deus desconhecido.

Não acho que seja simplesmente questão de consciência ou conhecimento, mas de comunhão.


E comunhão a gente restaura com uma boa conversa.

Então, se o Espírito estiver triste conosco, não resolveremos o problema simplesmente acumulando informação. Mas com mais comunhão. Com mesa.


Com desejo experimental de conhecê-lo profundamente.

Primeiro relacionamento. Depois conhecimento.

...


Por que, pelo sacrifício de Jesus, a mesa está sempre posta.

O amor de Deus está nela. A graça de Jesus também.

Então, que tal começarmos uma nova experiência de comunhão com Ele?


Quando isso acontece, a lembrança que carregamos de Sua presença nos transforma de forma significativa. De dentro para fora. De modo duradouro.


Como amigos que sentados à mesa, aprendem a viver e conviver.

E aprendem uns sobre os outros.


E essa é a finalidade última do evangelho:

permitir que conheçamos a Deus tão quanto conhecemos uns aos outros. Porque pelo Espírito, isso não é apenas possível. É real!



Pastor Sérgio Fernandes

Pastor Titular da IPR



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