SANTOS EM PLENA SEGUNDA-FEIRA - Sermão de 16/08/2026
- Pastor Sérgio Fernandes

- 15 de ago.
- 15 min de leitura
Atualizado: há 3 dias

Entendam isto, meus amados irmãos: estejam todos prontos para ouvir, mas não se apressem em falar nem em se irar. A ira humana não produz a justiça divina. Portanto, removam toda impureza e maldade e aceitem humildemente a palavra que lhes foi implantada no coração, pois ela tem poder para salvá-los. Não se limitem, porém, a ouvir a palavra; ponham-na em prática. Do contrário, só enganarão a si mesmos. Pois, se ouvirem a palavra e não a praticarem, serão como alguém que olha no espelho, vê a si mesmo, mas, assim que se afasta, esquece como era sua aparência. Se, contudo, observarem atentamente a lei perfeita que os liberta, perseverarem nela e a puserem em prática sem esquecer o que ouviram, serão felizes no que fizerem. Tg 1.19-25
INTRODUÇÃO
O ano era 2025. 31 de dezembro de 2025.
Estava literalmente no ritmo do réveillon quando uma mensagem chega no meu celular.
"Pastor, eu pequei novamente e passei a noite inteira fazendo coisas que desagradaram ao Senhor. O senhor pode conversar comigo?"
Gente, 31 de dezembro. Todo o planejamento do reveillon pronto e a família precisando de mim. Adivinhem o que eu fiz?
Sim, eu fui conversar com o irmão.
Quando cheguei, para minha surpresa, ele estava junto com outra pessoa, ambos visivelmente ligados no 220V (acho que vocês me entendem).
A conversa durou quase uma hora, com muitos aconselhamentos, com a menção do perdão de Deus e da possibilidade de um recomeço.
Para minha surpresa, a devolutiva que tive foi:
Não pastor, para mim não dá mais. Vou sair da igreja.
E saiu mesmo.
Pensei comigo: "eu me dispus, deixei minha casa, família, entreguei tudo de mim e o resultado foi esse: será que valeu a pena?".
Meu sogro acompanhou um pouco da conversa e me disse a mesma coisa.
"Sérgio, você não deveria ter vindo. É reveillon".
A minha resposta foi cristã, mas não sem aquela frustração interior fruto da minha humanidade: "Edson, eu fiz o que Cristo espera de mim. E está tudo bem".
...
Hoje, quando olho para mim e para cada um de vocês que humildemente se assenta para nos ouvir semana após semana, penso que nós também, como servos de Cristo, precisamos ter essa disposição: viver e praticar as Escrituras não somente no domingo de manhã, mas em todo o tempo, aproveitando as oportunidades que o Senhor coloca diante de nós.
Por isso, inicio o sermão com essa história e com uma inevitável pergunta:
Depois de tudo o que aprendermos hoje, seremos santos na segunda-feira?
Seremos reconhecidos como seguidores de Cristo depois que o culto acabar?
A epístola de Tiago nos traz uma reflexão sobre a necessidade de sermos, de fato, praticantes da Palavra de Deus.
Até na segunda.
Até no réveillon.
É sobre isso que refletiremos nessa manhã.
UM CORAÇÃO ENSINÁVEL
Quando Tiago escreveu sua epístola, seu propósito era caracteristicamente pastoral. Ele compila inúmeras instruções para a prática da Palavra de Deus na vida cotidiana dos seus leitores.
Sua preocupação, claramente, era que a comunidade vivesse de modo consistente com a natureza do evangelho e da ética cristã.
Esse viver de acordo com as Escrituras
é possível em face da nova vida que
recebemos de Jesus.
Foi Tiago quem disse isso no versículo 18 do mesmo capítulo.
Essa palavra que nos deu vida é a mesma que nos capacita para vivermos de acordo com Sua vontade. Tudo é pela Palavra do Senhor.
Por sua própria vontade, ele nos gerou por meio de sua palavra verdadeira. E nós, dentre toda a criação, nos tornamos seus primeiros frutos. Tg 1.18
Tiago, com o coração sensível de um pastor, sabia de nosso maior desafio: que embora sejamos novas criaturas em Cristo, ainda vivemos com a influência de nossa antiga natureza.
Por isso, nem sempre somos efetivos em praticarmos a Palavra de Deus.
Ele sabia do risco de sermos crentes
no domingo e ateus na segunda-feira.
Nas palavras de Tiago, a vida com Cristo exige uma escuta ativa, uma prontidão para ouvir a Palavra de Deus, afinal, boa parte da comunicação da fé acontece oralmente.
Entendam isto, meus amados irmãos: estejam todos prontos para ouvir, mas não se apressem em falar nem em se irar. Tg 1.19
Nas reuniões da igreja do primeiro século, a leitura das Escrituras e das cartas apostólicas era parte significativa da liturgia, sempre acompanhada pelo ensino oral e a comunicação das tradições cristãs.
A ideia central que Tiago introduz aqui é a necessidade de ouvir a fim de colocar em prática o ensinamento recebido.
Mas será que isso realmente acontecia?
...
O "aprender a ouvir" é o coração do discipulado. Eu chamo de discipulado não o curso que fazemos para nos tornarmos membros na igreja local, mas a prática de uma vida inteira como aprendizes de Jesus.
Só podemos praticar a Palavra se a ouvirmos com atenção. As palavras de conclusão de Jesus no sermão da montanha ecoaram aqui na escrita de Tiago.
“Quem ouve minhas palavras e as pratica é tão sábio como a pessoa que constrói sua casa sobre uma rocha firme. Quando vierem as chuvas e as inundações, e os ventos castigarem a casa, ela não cairá, pois foi construída sobre rocha firme. Mas quem ouve meu ensino e não o pratica é tão tolo como a pessoa que constrói sua casa sobre a areia. Quando vierem as chuvas e as inundações e os ventos castigarem a casa, ela cairá com grande estrondo.” Mt 7.24-27.
Eu preciso ouvir com atenção para entender.
E preciso entender para praticar.
A questão é que o ouvir com atenção vai nos levar ao fato de que, inúmeras vezes, o que ouviremos não será agradável aos nossos ouvidos. Isso porque todos nós ouvimos a Bíblia com nossos pressupostos e com os resquícios da velha vida dentro de nós.
Por isso, o conselho de Tiago no texto é explícito:
Ao ouvirmos a Palavra de Deus, precisamos ser
tardios para falar e para nos irarmos.
O que ele quer dizer com isso?
Primeiro, precisamos ser tardios para falar. Quando a Palavra vem ao nosso coração, temos uma tendência de acionarmos nossos mecanismos de defesa e autopreservação e retrucarmos (às vezes com a boca, outras, com o coração):
"Ahhhh, isso não é comigo" ou
"ahhhhh, mas eu não acho que seja bem assim".
É claro que ninguém precisa ouvir sem critério e sem discernimento.
Tem muitas asneiras sendo ensinadas como "palavra de Deus".
Tiago não está ensinando a sermos ingênuos.
Agora, quando de fato a Palavra de Deus está sendo pregada e ensinada com fidelidade, o discípulo precisa com humildade acolhê-la.
Afinal, se não tratarmos a Bíblia como Palavra de Deus,
seremos pessoas que seguem não ao Senhor, mas ao próprio coração.
Se a cada momento confrontarmos o ensino genuíno da Bíblia,
sem acolhê-lo, jamais teremos um coração de discípulo.
...
O mesmo pode ser dito a respeito de "não se irar".
Aqui, a reação vai além do "não concordo" ou "não aceito", mas envolve um confronto contra a Palavra e contra quem a ensina.
Nesses muitos anos pastoreando, não foram poucas as vezes que fui confrontado após pegar mais firme no ensino e advertir membros faltosos.
E também não foram poucas vezes que pessoas maduras me exortaram a agir diferente sem que eu minimamente as ouvisse (e depois colhesse os maus resultados disso).
Porque um coração irado
não é um coração ensinável.
Precisamos ter um coração pacífico, pronto para aceitar a instrução e a exortação para genuinamente crescermos em Cristo.
pois a ira do homem não produz a justiça de Deus. Tg 1.19
E justamente esse coração pacífico, ensinável, que nos permite, ao acolhermos a palavra, produzirmos o fruto da justiça (Tg 3.18).
Que Deus nos conceda esse coração ensinável,
pronto para ouvir e tardio para falar e se irar.
...
Então, se quisermos ser santos na segunda-feira, precisamos pedir ao Senhor esse coração ensinável. Pedir que Ele, pelo Espírito, quebre nossos pressupostos, nosso senso de preservação e implante com poder a palavra dentro de nós.
Obviamente, isso operará em nós um efeito transformador.
Falarei disso na continuidade do sermão.
UM CORAÇÃO OBEDIENTE
Então, se quisermos ser santos na segunda-feira, precisamos que Deus nos dê um coração ensinável, pronto para ouvir e para acolher continuamente a palavra no coração.
Quando recebemos a fé em Jesus, a palavra foi colocada dentro de nós.
Nós fomos gerados pela Palavra de Deus.
Vocês foram regenerados não de uma semente perecível, mas imperecível, por meio da palavra de Deus, viva e permanente. 1 Pe 1.23
E, como resposta a ouvirmos com humildade a Palavra, somos chamados a responder ao ensinamento deixando de lado todo o pecado.
Seguimos com Tg 1.21.
Portanto, livrem‑se de toda impureza moral e da maldade que prevalece. Tg 1.21a
Entendo que Tiago deseja que esses resquícios da velha vida sejam abandonados para acolhermos cada vez mais a palavra da salvação.
A expressão "livrem-se" exige uma atitude ativa. Tiago entende que, como discípulos, assumimos esse compromisso de abandonar o que não é compatível com a nova vida que recebemos.
Então, em resposta a Palavra de Deus,
eu devo me livrar da impureza e do acúmulo da maldade.
...
A impureza aqui, do grego 'rhyparia' não se referem apenas de pecados sexuais, mas de comportamentos que contaminam nossa atitude como discípulos.
Leia a epístola de Tiago. Ele fala de tentações, de iras, de uso desgovernado da língua, de acepção de pessoas, de guerras e contendas entre os irmãos.
À luz do contexto, parece que Tiago sugere aqui que a nossa resistência em acolher Palavra de Deus irá contaminar nosso coração e gerará comportamentos pecaminosos.
...
Isso torna a segunda expressão ainda mais significativa.
Ele pede para nos livrarmos do acúmulo de maldade.
A expressão maldade aqui é 'kakia', que significa perversidade
ou disposição ao mal.
São dois pensamentos que parecem ser correlatos. Afinal, um coração que não acolhe a palavra será um terreno fértil para o florescimento de pecados cada vez mais graves.
Guardei no coração a tua palavra para não pecar contra ti. Salmo 119.11
Um coração que não acolhe a Palavra acolherá o pecado.
Lembre-se disso:
Um coração ensinável não julga a Palavra de Deus. Ele a acolhe.
Um coração ensinável sabe que ao acolher a Palavra, ela irá produzir frutos.
O fruto da Palavra acolhida será um coração obediente.
...
É isso que Tiago afirma na continuidade do verso com tanta paixão:
(...) aceitem humildemente a palavra implantada em vocês, a qual é poderosa para salvar a vida de vocês. Tg 1.21b
Essa ideia trabalhada por Tiago me lembra da profecia da Nova Aliança, que promete que a Palavra seria plantada dentro de nós.
“Esta é a aliança que farei com o povo de Israel depois daqueles dias”, declara o Senhor: “Porei a minha lei no íntimo deles e a escreverei no seu coração. Serei o Deus deles, e eles serão o meu povo. Jeremias 31.33
Deus, graciosamente, semeou a Palavra em nosso coração para nos gerar em Cristo Jesus. E a medida que nos rendemos à palavra implantada, a graça que já recebemos produzirá uma transformação cada vez maior.
Tiago não quer que a palavra fique do lado de fora, apenas nos ouvidos.
Ele deseja que ela vença nossas barreiras e desça ao coração.
Porque, guardada no coração, ela é poderosa para nos salvar.
...
Obviamente, Tiago não sugere uma salvação por obras, que seja resultado de minha capacidade de ouvir e praticar a palavra.
Os intérpretes bíblicos entendem que essa expressão pode apontar tanto para os efeitos da salvação quanto para a nossa salvação futura, quando Cristo voltar.
O Deus que nos salvou da culpa do pecado
segue nos salvando de seu poder e influência.
Então, um coração ensinável terá humildade para ouvir e acolher a Palavra. E, com essa atitude obediente, se conformará cada vez mais à vontade de Deus.
Portanto, irmãos, peço, pelas misericórdias de Deus, que ofereçam o corpo de vocês como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: este é o culto racional de vocês. Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem‑se pela renovação da sua mente, para que vocês experimentem a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Rm 12.1,2
...
Eu entendo que Deus está compartilhando algo ao nosso coração.
Reflita comigo: porque o Espírito está trabalhando esse tema conosco?
Porque Ele não está com você apenas durante o culto, mas estará também quando a segunda chegar. E Ele deseja glorificar a Cristo através de cada um de nós.
E não podemos glorificar a Cristo se vivermos deliberadamente no pecado.
A boa notícia do evangelho é que, pela fé, podemos vencer essa influência
à medida que nos rendemos à Cristo pelo poder do Espírito.
Não ofereçam os membros do corpo de vocês como instrumentos de injustiça para o pecado; antes, ofereçam‑se a Deus como quem saiu da morte para a vida; ofereçam os membros do corpo de vocês como instrumentos de justiça para Deus. Romanos 6.13
...
Então, peça ao Senhor um coração obediente.
Um coração que levante mãos santas em adoração no culto,
mas que também estenda mãos santas para servir na segunda-feira.
Peça que o Espírito lhe dê um coração que, exposto à Palavra de Deus,
decida não julgar, mas obedecer por amor.
Um coração com sede de santidade.
Porque há promessas bíblicas para quem
ouve e obedece a Palavra de Deus.
UM CORAÇÃO PRATICANTE
O fato é que a vida cristã não é uma corrida de cem metros rasos. Ela é uma maratona. E, por isso, Deus nos desafia a amarmos a Ele, ouvirmos sua voz e obedecê-lo ao longo de toda nossa vida, até Cristo voltar.
Sejam praticantes da palavra, não apenas ouvintes, enganando a vocês mesmos. Tg 1.22
Voltando ao texto, o apóstolo nos pede que sejamos praticantes e não apenas ouvintes.
É claro que, para Tiago, não é um problema ouvir a Palavra de Deus.
Mas é um problemão ficar somente nisso.
O propósito das Escrituras não se resume a revelar o plano eterno de Deus.
Ela também comunica a vontade dEle para o povo da aliança.
Então, a resposta esperada é que individualmente
e coletivamente coloquemos em prática aquilo que
as Escrituras nos ensinam normativamente.
É incrível que, algumas vezes, mudamos para impressionar pessoas, para seguir tendências, para praticar conselhos dados pelo coach ou influencer do momento.
Mas somos resistentes a Palavra de Deus.
Por isso, a advertência dada por Tiago é severa:
"quem age assim engana-se a si mesmo".
Que tipo de engano seria esse? O próprio contexto nos responde!
Se a Palavra é poderosa para nos salvar (vv.21), alguém que de forma obstinada se recusa a render-se à palavra precisa estar ciente de que está mergulhado em um autoengano religioso.
Novamente, Tiago não ensina salvação por obras.
Mas tampouco ensina uma salvação que não exija
de nós um comprometimento integral com Cristo.
A salvação é pela graça, mas essa graça nos educa
para vivermos de forma dedicada a Cristo. Se não houver
sinais de santificação em nossas vidas, pode ser que não
tenha havido justificação e nem o novo nascimento.
Pois a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens. Ela nos instrui a renunciar à impiedade, aos desejos mundanos e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente, enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo. Tt 2.11-13
Eu não falo isso com o intuito de carregar o coração de vocês de culpa, como se a obra de Cristo tenha sido vã.
Cristo salva pecadores e a sua obra é completa!
Mas veja, Cristo nos encontra em nosso pecado, mas não nos deixa sob o domínio dele.
Então, precisamos com zelo, tratar as Escrituras como elas são: a Palavra de Deus.
Um coração tocado pela graça irá ouvir a Palavra com humildade, obedecerá por amor e praticará como reflexo de uma vida para louvor da glória de Deus.
...
Mas, nem todos que são expostos à Palavra desejam de fato, colocar em prática a verdade de Deus.
Vemos isso no vv.23.
Aquele que ouve a palavra, mas não a põe em prática, é semelhante a um homem que se vê no espelho, mas, depois de olhar para si mesmo, sai e se esquece da sua aparência. Tg 1.23,24
Usando a imagem de um espelho, Tiago compara a atitude daquele que não pratica a Palavra de Deus com a de um homem que, após ver a sua imagem refletida, sai e se esquece de sua aparência.
É uma ilustração poderosa. Por que nós nos olhamos no espelho?
Para vermos nossa aparência e, se necessário, darmos aquele "tapa" no visual.
A Bíblia, tal como espelho, não mostra
uma imagem bonita nossa, mas a nossa
aparência real.
A Bíblia não tem filtros.
Ela revela o estado de nosso coração.
Com todos nossos pecados e fraquezas.
Mas alguns, mesmo sendo expostos
a essa revelação, optam pela indiferença.
Indiferentes com o pecado,
Indiferentes com a santidade,
Indiferentes com a eternidade,
Indiferentes com Deus.
Não seja indiferente à Palavra de Deus!
Precisamos materializar em uma vida piedosa
na segunda-feira aquilo que aprendemos aqui
no domingo de manhã!
...
Já na outra comparação, Tiago demonstra que alguns agem de forma diferente.
Contudo, o homem que observa atentamente a perfeita lei da liberdade, e persevera na prática dessa lei, não se esquecendo do que ouviu, mas praticando‑o, será bem-aventurado naquilo que fizer. Tg 1.25
Existem ouvintes que desejam a mudança promovida pelo evangelho.
Que querem ser santos na segunda-feira.
Esses tem uma atitude digna de ser notada.
Primeiro, eles observam atentamente a lei perfeita da liberdade.
Como conciliar lei com liberdade? Não parecem termos contrastantes?
Como uma lei pode me fazer livre?
Bem, a Bíblia trata o pecado como uma escravidão. Nas palavras de Jesus, o pecado exerce em nós uma influência semelhante a de um cativeiro.
Jesus respondeu: ― Em verdade lhes digo que todo aquele que pratica o pecado é escravo do pecado. João 8.34
Mas a Palavra de Deus é o meio pelo qual podemos ser libertos dessas cadeias para vivermos plenamente a vontade de Deus.
Então, conhecerão a verdade, e a verdade os libertará. Jo 8.32
Porque liberdade, biblicamente falando,
não se trata de fazer o que bem entendermos.
Mas de vivermos para a glória de Deus.
Portanto, se o Filho os libertar, vocês de fato serão livres. Jo 8.36
...
Então, ao atentar à Palavra, sou chamado a colocá-la em prática.
A cada leitura bíblica, a cada conselho de cristãos maduros, a cada pregação que ouço em minha igreja local, o Espírito Santo opera para que o "espelho" da Palavra vá me esclarecendo em quais áreas devo me render para melhor me conformar à vontade de Cristo.
Será que a forma como trabalho glorifica a Deus?
Será que o modo como vivo em família é compatível com a ética cristã?
O que faço quando ninguém está me vendo agrada a Cristo?
Essa escolha que fiz me aproxima ou me afasta do Senhor?
Minhas decisões refletem valores do Reino ou a cobiça do meu coração?
...
Na conclusão desse segmento, Tiago afirma que aquele que pratica tais coisas,
será bem-aventurado naquilo que fizer.
A ideia por trás de ser "bem-aventurado" não pode ser biblicamente explicada em um pequeno trecho de sermão, mas se eu puder deixar uma definição breve, eu diria que ela traz o sentido das bençãos que desfrutamos por estarmos unidos à Deus através de Cristo.
Não é dinheiro, saúde ou prosperidade.
É ter acesso ao tesouro maior: o próprio Deus.
Essa frase evoca inúmeros textos bíblicos que prometem essa benção aos que, de coração, obedecem a Deus, praticando a Sua vontade.
Bem-aventurado aquele que não anda segundo o conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores nem se assenta na companhia dos zombadores. Ao contrário, a sua satisfação está na lei do Senhor, e na sua lei medita dia e noite. É como árvore plantada junto a ribeiros: dá fruto no tempo certo e as suas folhas não murcham. Tudo o que ele faz prospera. Sl 1.1,3
...
Eu tenho consciência que, ao ouvir isso, você pode ter pensado assim:
Será que as lutas e batalhas que enfrento são sinais de que há erros em minha piedade e devoção? Ou que ainda vivo na prática persistente do pecado?
A Bíblia não apresenta todo o sofrimento como resultado do pecado, mas sim, alguns sofrimentos são tratamentos disciplinares de Deus para crescermos na santificação.
Por isso, em face desse aprendizado,
há algo que nunca devemos nos esquecer,
que é o coração da nossa fé e da mensagem
que proclamamos!
O evangelho nos garante que nosso pior momento não precisa nos definir!
Quando Jesus subiu à cruz, Ele levou sobre si nossas iniquidades e nossos pecados. Ele carregou no madeiro, inclusive, as falhas que cometemos entre um domingo e outro.
Ele sofreu ali a ira e o castigo de Deus em nosso lugar. Morreu a nossa morte e ressuscitou para nos declarar justos diante de Deus.
E com fé nEle, podemos receber o perdão dos pecados e a vida eterna.
Então, se você ainda não abraçou o evangelho, te convido a colocar seus olhos em Cristo e confiar que Sua morte na cruz te trouxe perdão e salvação! E com fé nessa mensagem, peça a Deus que lhe dê um coração arrependido, que se volte para Deus e o deseje mais do que o mundo e mais do que o pecado.
Agora, se você já é um salvo em Cristo, mas tem estado frio, negligente e fraco na sua devoção, o Espírito de Deus nos enviou essa palavra para nos arrependermos e buscarmos um coração praticante, que deseja a glória de Deus acima de todas as coisas.
Lembrem-se, meus irmãos:
Cristo morreu para nos salvar da condenação
e nos livrar da ira de Deus.
E sua misericórdia nos permite viver os recomeços que nos colocam de novo aos pés da cruz, para experimentarmos a alegria da Sua presença em nós.
Conclusão
A gratidão é a fonte que nos moverá à obediência e prática da Palavra de Deus. É a resposta coerente ao Deus que morre para nos salvar.
Há gratidão no seu coração?
Se sim, haverá obediência e prática da Palavra de Deus.
E, pontualmente, Deus poderá nos dar presentes que nem sequer imaginamos receber enquanto praticamos a Sua Palavra.
Lembra daquele réveillon da introdução do sermão?
Que aparentemente ficou sem frutos? Na verdade, não ficou.
Ao término da conversa, o amigo do irmão que me chamou me abraçou e disse assim:
"te agradeço muito por sua humildade de nos acolher e nos ouvir no estado em que estamos. Vou pensar com carinho em tudo o que você falou".
E sumiu.
No último domingo, Dia dos Pais, ao término do culto, uma pessoa estava aqui no pátio da igreja. Cheirosa, bem trajada, com a Bíblia debaixo do braço. Ela me saudou e disse assim:
"Eu precisava vir aqui para te agradecer. Depois daquela conversa no ano novo, voltei para casa e me reconciliei com Cristo. Desde então, tenho ido na igreja todos os dias porque não posso dar "bobeira" e cair de novo. As palavras que você trouxe naquele dia me encorajaram a deixar aquela vida".
Foi o melhor Dia dos Pais em anos.
A "bem-aventurança" para mim não foi eu receber essa notícia, como se fosse um prêmio pela obediência. A bem-aventurança foi ter tido o privilégio de obedecer a Cristo — e, pela graça, descobrir depois que Ele havia feito muito mais do que eu podia enxergar.
Pelo evangelho, Deus pode usar esses seres imperfeitos que somos,
para, através de nós, revelar a sua glória ao mundo.
De domingo a domingo.
Até mesmo na véspera do réveillon.
Até na segunda-feira!

Pastor Sérgio Fernandes
Pastor Titular da IPR




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