TÓXICOS OU SANTOS - Sermão de 12/07/2026
- Pastor Sérgio Fernandes

- 11 de jul.
- 13 min de leitura

Então Jesus disse às multidões e a seus discípulos: “Os mestres da lei e os fariseus ocuparam o lugar de intérpretes oficiais da lei de Moisés. Portanto, pratiquem tudo que eles dizem e obedeçam-lhes, mas não sigam seu exemplo, pois eles não fazem o que ensinam. Oprimem as pessoas com exigências insuportáveis e não movem um dedo sequer para aliviar seus fardos. Mt 23.1-4
INTRODUÇÃO
Existe um meme famoso na Internet onde, para comentar fatos estranhos que eventualmente acontecem no meio social, alguém recorda que ouviu a sua avó dizer:
"meu filho, você ainda vai ver muitas coisas".
Eu vi e vivi muitas coisas.
Vivi alguns anos da redemocratização e o movimento Diretas Já. Vi a seleção brasileira estar em três finais seguidas das copas do mundo (1994, 1998 e 2002), levando mais dois títulos para casa. Sobrevivi a famosa bala soft. Vi e vivi a chegada da internet, a expansão da banda larga. Assisti a virada do milênio, sobrevivi uma pandemia global, vi o nascimento do streaming e hoje vejo pentecostais reformando a sua fé.
Mas eu vi também a chegada da Hinodê. Lembra? Aquela empresa com uma forte estratégia de marketing multinível contagiou uma parcela tão grande de pessoas que praticamente tomávamos café, almoçávamos, jantávamos e sonhávamos com os "iniciados na fórmula" oferecendo produtos e ganhos financeiros enormes para quem aderisse a sua estratégia de crescimento.
Era comum, inclusive, tratarmos com apelidos nada elegantes os seus consultores. Seu comportamento era tão manipulador que, quando um conhecido nosso se tornava consultor, até a forma de conversarmos com ele mudava, pelo risco dele tentar, de alguma forma, nos levar para dentro da empresa.
Essa história é um ponto
de partida para ilustrar
o tema do sermão de hoje.
...
Na semana passada, a ministração do Pb. Emerson nos encorajou a escolhermos com sabedoria as relações que construiremos agora que pertencemos a Cristo.
Hoje, a reflexão seguirá um caminho inverso: Será que eu e você, ao entrarmos em contato com a fé cristã, não nos tornamos tão tóxicos a ponto de não conseguirmos comunicar com clareza, graça e paixão a beleza do evangelho?
Temos sido uma influência positiva ou negativa como embaixadores de Cristo?
E, também: como a santificação bíblica pode nos proteger de abraçarmos uma forma de cristianismo deformado, conservando nosso coração mergulhado na graça e nos tornando discípulos que contagiam as pessoas em vez de afastá-las.
Eu espero na graça de Cristo
que nessa manhã a gente
possa ver muitas coisas juntos.
E a primeira coisa que espero ver com vocês é: será que o exercício da minha fé em Cristo tem gerado uma influência contagiante ou desmotivadora?
...
O risco de vivermos uma religião tóxica
O ponto de partida para nossa trilha nessa reflexão é definirmos o termo "tóxico" dentro dos limites pretendidos no sermão.
Essa não é uma expressão bíblica. Mas ela pode ser utilizada para aludir temas que são tratados com profundidade nas Escrituras.
A expressão "tóxico" popularizou-se nos últimos anos para definir comportamentos egoístas, manipuladores e negativistas que drenam a vida emocional alheia.
Nesse contexto, a pessoa tóxica tem a tendência de manipular, coagir e conduzir relações não com base em verdade, liberdade e emancipação, mas com medo, culpa e vitimismo exagerado.
Nas Escrituras, há um grupo específico de pessoas que parece emular tais comportamentos, e eles foram severamente repreendidos por Jesus.
Um grupo que certamente levaria nossas avós a comentar:
"Meu filho, a gente ainda vai ver muita coisa".
Estou falando dos fariseus.
O texto base desse sermão é parte de um dos discursos de Cristo contra eles.
...
O movimento dos fariseus nasceu no século II A.C, no período interbíblico (entre Malaquias e Mateus), como uma resposta à corrupção do sacerdócio e a revolta dos macabeus.
Seu surgimento tem raízes nobres: restaurar a lealdade a Deus e o amor e zelo por sua lei.
Mas com o tempo, o farisaísmo tornou-se uma tradição influente entre os judeus, o que acabou os levando a um caminho de declínio espiritual e a uma religião de aparências.
Os fariseus assumiram uma forma de religião profundamente tóxica.
Sem amor, sem compaixão, sem graça, sem essência.
...
Quando observamos a mensagem de Cristo em contraponto à dos fariseus, há um abismo intransponível entre elas.
Os fariseus consideravam-se os legítimos interpretes da Lei, e nesse papel, falhavam em proclamar a esperança da graça de Deus como anunciada no Antigo Testamento. Se eles fossem pregadores de uma boa notícia, ela seria mais ou menos assim:
"Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano." Lucas 18.11
Já Cristo proclamava perdão aos pecadores, liberdade aos cativos e uma fé baseada na graça de Deus e na dependência integral de Sua obra. A essência da boa notícia do evangelho era um convite para abraçarmos a misericórdia de Deus trazida por Jesus, como lemos em Mt 11.28-30.
― Venham a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu darei descanso a vocês. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para a alma. Pois o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve. Mt 11.28-30
O choque entre essas mensagens é o pano de fundo para boa parte dos conflitos entre Jesus e os religiosos nos evangelhos.
Por isso, boa parte da doutrina ensinada por Cristo era um contraponto ao falso evangelho dos fariseus. No verso utilizado na leitura oficial, Jesus desafia sua autoridade, mostrando que as ações dos fariseus deformavam a fé que Ele veio dar ao povo de Deus.
Vejamos.
"Então Jesus disse às multidões e a seus discípulos", Mt 23.1
Aqui, Jesus inicia seu último grande discurso antes de morrer por nós. Suas palavras são dirigidas às multidões e aos seus discípulos. A clara intenção de Mateus ao diferenciar esses públicos é mostrar que Jesus tinha seguidores leais e curiosos que o acompanhavam.
E, claro, a distinção entre os discípulos tinha caráter vocacional, como um apelo para que estes não se comportassem como fariseus.
“Os mestres da lei e os fariseus ocuparam o lugar de intérpretes oficiais da lei de Moisés. Mt 23.2
A expressão "a cadeira de Moisés" usada nas traduções mais antigas representava um ofício específico nas sinagogas de intérprete da Lei. Era a pessoa responsável por explicar as Escrituras ao povo e orientar sobre como poderiam obedecê-la.
Boa parte dos mestres fariseus tinha um prazer gigantesco por ocupar esses ofícios, para disseminar seus ensinos e influências sobre o povo. Muitos dentre eles o faziam não legitimamente, para glorificar a Deus, mas para obter preeminência e prestígio.
Portanto, pratiquem tudo que eles dizem e obedeçam-lhes, mas não sigam seu exemplo, pois eles não fazem o que ensinam. Mt 23.3
Jesus nunca teve problemas com a Lei, desde que usada dignamente. Ele mesmo afirmou que não veio para a abolir, mas para cumpri-la (Mt 5.17).
Mas Jesus condenou a atitude dos fariseus e a sua religião superficial, onde se pregava com rigor a observação da Lei, quando eles mesmos não se esforçavam para vivê-la de forma agradável a Deus.
Oprimem as pessoas com exigências insuportáveis e não movem um dedo sequer para aliviar seus fardos. Mt 23.4
Fazendo um uso equivocado da Lei, os fariseus atavam fardos pesados sobre o povo de Deus, emitindo juízos e condenação para quem não seguisse a sua particular interpretação das Escrituras.
Mas eles próprios não se comprometiam pessoalmente com o cuidado do povo.
Jesus tratou essa atitude com severidade.
...
Os fariseus servem como exemplo para nós. Eles praticavam sua religião, eram zelosos, queriam agradar a Deus. Mas foram duramente reprovados por Jesus Cristo.
E por qual razão? Sua mensagem enfatizava que Deus os aceitaria por seus próprios méritos e não por sua fé no Messias prometido.
Enquanto os fariseus proclamavam: "façam".
Cristo afirmava: "está feito".
Quando falhamos em conservar o evangelho no centro, nossa religião se tornará tóxica e sem vida como a dos fariseus.
Uma religião centrada na performance;
Uma religião baseada em poder e manipulação;
Uma religião repleta de culpa, medo e mágoas;
Talvez, nesse ponto, você tenha pensado assim: pastor Sérgio, somos cristãos reformados, bíblicos e graças a Deus esse tipo de problema não acontece em nosso meio.
Se formos humildes e exercermos um autoexame honesto, talvez sejamos iluminados pelo Espírito Santo para enxergarmos que esse mal não está tão longe assim de nós.
Porque muitas vezes bons começos
podem ter desenvolvimentos ruins.
Quando a carne assume o lugar do Espírito
Quando Cristo me encontrou, no já distante 1998, sua mensagem de salvação me impactou poderosamente.
Eu me converti em uma igreja pentecostal, onde permaneci por vinte e dois anos.
E, no dia da minha conversão, eu ouvi o evangelho. Fui pessoalmente apresentado à graça de Deus e a insuficiência de minhas obras para me salvar. No momento do apelo final do sermão, eu me rendi ao Senhor.
Foi o dia mais significativo da minha vida.
Aquela alegria inicial, contudo, foi paulatinamente sendo substituída por inúmeros fardos pesados, que eu ainda não estava pronto para lidar.
Já introduzido na comunidade, alguns irmãos mais velhos começaram um longo e demorado processo para me adequar à cultura da congregação:
Usos, costumes, regras e tantas imposições que rapidamente eu me esqueci do evangelho e comecei a tentar conservar a salvação por meus próprios esforços.
A amargura não veio rapidamente. Ela veio aos poucos. Drenando minha confiança em Jesus e fazendo com que eu acreditasse que, no final das contas, eu tinha que dar meus próprios pulos para permanecer na fé.
Aos poucos, a esperança virou abatimento.
A doçura virou amargura.
E a alegria da salvação foi se tornando uma religião tóxica.
...
Há uma igreja no Novo Testamento que passou exatamente por isso.
Veja, não estou mais falando dos fariseus. Mas de pessoas que ouviram o evangelho pregado pelo próprio Paulo, foram poderosamente convertidos pelo Espírito Santo e, aos poucos, deixaram o evangelho sair do centro de suas vidas.
Estou falando dos nossos irmãos gálatas.
Minha vó certamente contaria assim sua história: "'meu fio', quem poderia imaginar que uma igreja pessoalmente plantada por Paulo substituiria o evangelho tão rapidamente".
Bons começos podem realmente ter desenvolvimentos ruins.
Ó gálatas insensatos! Quem os enfeitiçou? Jesus Cristo não lhes foi explicado tão claramente como se tivessem visto com os próprios olhos a morte dele na cruz? Gl 3.1
Paulo começa repreendendo os gálatas os chamando de insensatos. O termo grego é ἀνόητοι (anoētoi). Significa basicamente "falta de discernimento", o que aqui, refere-se a eles não terem refletido sobre as implicações do evangelho.
E eles ouviram o evangelho. Paulo afirma que lhes explicou tão claramente que seria como se eles fossem capazes de ver com os próprios olhos a morte de Jesus na cruz. Um ótimo começo.
Mas a influência de grupos internos na comunidade os enfeitiçou, tornando sua compreensão da obra de Cristo prejudicada.
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Deixem-me perguntar apenas uma coisa: vocês receberam o Espírito porque obedeceram à lei ou porque creram na mensagem que ouviram? Gl 3.2
A pergunta de Paulo é incisiva: vocês receberam o Espírito porque obedeceram ou porque creram?
A expressão receber o Espírito é uma linguagem de Paulo para expressar a salvação, uma vez que o envio do Espírito prometido é a promessa da Nova Aliança (Gl 3.14).
Eles precisavam responder: vocês foram salvos do pecado porque obedeceram perfeitamente ou porque creram em quem fez isto por amor de vocês?
A pergunta exigiria uma resposta humilde, o que testaria sua confiança na obra suficiente de Cristo.
'Será que perderam o juízo? Tendo começado no Espírito, por que agora procuram tornar-se perfeitos por seus próprios esforços? Gl 3.3
Paulo reconhece a ação soberana do Espírito não apenas no momento inicial da salvação, mas no seu pleno desenvolvimento. Assim deve ser a vida cristã: começa no Espírito e continua no Espírito até o fim.
Obviamente, Paulo não ignora a realidade da obediência a Cristo, da prática das disciplinas, do custo do discipulado, mas ele não enxerga tais movimentos partindo do esforço humano, mas da doce influência do Espírito no coração transformado.
Lindo não é mesmo?
Paulo reconheceu isso. Eu não.
E como os gálatas, tentei crescer por meus próprios esforços.
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Os males que essa realidade me causaram foram gigantescos. Por alguns anos, eu me tornei um religioso tóxico, ávido por levar a cultura que recebi para outros que como eu, chegavam na comunidade, pronto para apontar os erros, para condenar, para mostrar meus troféus espirituais e esmagar aqueles que eu julgava não serem tão bons quanto eu.
Essa influência tóxica prejudicou muitos
do lado de dentro e afastou outros do lado de fora.
Eu me tornei uma péssima influência.
Me arrependo publicamente
e profundamente disso.
E não foram poucos os problemas que causei com essa atitude, porque onde a carne está agindo, o orgulho e o egoísmo tomam conta.
Me lembrei de Paulo ainda escrevendo aos Gálatas.
Mas, se vocês estão sempre mordendo e devorando uns aos outros, tenham cuidado, pois correm o risco de se destruírem. Gl 5.15
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Talvez agora você esteja refletindo: "será que estou andando no Espírito e crescendo em Cristo ou estou deixando a carne tomar conta de minha vida".
Bem, somente você pode fazer um autoexame honesto do próprio coração à luz das Escrituras. Mas sempre que deixamos o Espírito e passamos a confiar em nossos próprios esforços para vivermos a fé, os sinais se tornarão cada vez mais perceptíveis:
A nossa fé se tornará cada vez mais performática e passaremos a sentir culpa ao invés de alegria espiritual.
Essa culpa nos levará a tentarmos ser cada vez mais religiosos e com isso, passaremos a exigir dos outros atitudes que intimamente nem nós mesmos somos capazes de realizar.
O amor, o encorajamento, a graça, a misericórdia e a compaixão darão lugar ao "euvangelho". E se as pessoas não seguirem nossas próprias convicções pessoais, nós a trataremos com desdém ou como cristãos de segunda categoria.
Isso pode acontecer no embate entre tradições cristãs, em âmbitos familiares, nas relações entre membros dentro de departamentos e outros.
Mas se, pastoralmente, eu puder te sinalizar a forma mais simples de você perceber que o evangelho deixou de ser a influência transformadora de sua vida, eu diria assim:
"sempre que a sua religiosidade enfatizar mais a sua própria performance pessoal do que a graça de Cristo, você deixou de andar no Espírito".
Esse é o tipo de comportamento tóxico que macula o evangelho.
Foi esse tipo de falsa religião que Paulo ferozmente combateu.
Aqueles que procuram obrigá-los a se circuncidarem desejam causar boa impressão para outros, a fim de não serem perseguidos por ensinar que somente a cruz de Cristo pode salvar. E nem mesmo aqueles que defendem a circuncisão cumprem toda a lei. Querem que vocês sejam circuncidados só para que eles se gloriem disso. Gl 6.12,13
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Se você se encontra assim, eu não quero esmagá-lo com minhas cobranças. Há uma influência mais forte que a religião tóxica: a influência da graça de Cristo.
Todos nós podemos fatalmente perder o evangelho em momentos pontuais da vida, mas há na graça de Cristo o poder que nos permite parar, discernir e começar tudo de novo.
A misericórdia de Deus não se estende somente aos pecadores do lado de fora, mas também aqueles que, do lado de dentro, se esquecem do perdão que os alcançou.
"Assim, aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade." Hebreus 4.16
Foi assim que aconteceu comigo.
QUANDO O ESPÍRITO REASSUME O SEU LUGAR
O meu retorno ao evangelho foi claramente uma obra do Espírito. Me recordo que em inúmeros momentos dessa fase tensa da minha vida, Deus fez com que pessoas me encorajassem a voltar às Escrituras.
Esse movimento, claro, não aconteceu da noite para o dia.
Me recordo que, enquanto ministrava em uma sala de Escola Bíblica da minha antiga denominação, uma lição sobre as Bem-Aventuranças revelou a minha inadequação e me fez clamar pela misericórdia de Cristo outra vez.
Então, naquele ambiente imperfeito (afinal, toda igreja local é repleta de imperfeições, inclusive a nossa), o Espírito me encontrou e trouxe meu coração de volta ao evangelho.
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Obviamente, eu precisaria de inúmeros sermões para falar sobre o embate entre a carne e o Espírito e a experiência da verdadeira santificação cristã.
Mas, tratando por uma perspectiva pastoral, fica a pergunta: como o Espírito pode usar pecadores perdoados como nós, não como influências tóxicas e destrutivas, mas como embaixadores de Cristo que proclamam o evangelho e levam o Reino de Deus aos corações?
...
Primeiramente, quero evitar um erro que pode surgir nesse momento.
O evangelho não é simplesmente uma religião menos rígida, mas uma fé baseada no Espírito, que nos torna semelhantes à Cristo e que nos envia vocacionalmente ao mundo.
O que muitas vezes, pode exigir mais de nós do que a religião baseada em obras.
Então, em nenhum momento estou falando em reduzir a urgência do evangelho ou torná-lo mais atraente ao mundo reduzindo suas implicações eternas.
Eu seria desleal a Cristo fazendo isso.
Não há salvação fora de Cristo. Esteja você dentro da igreja ou fora dela, você precisa se arrepender dos seus pecados e crer na obra suficiente consumada por Jesus para ser salvo.
Mas Deus assim cumpriu o que todos os profetas haviam predito acerca do Cristo, que era necessário ele sofrer essas coisas. Agora, arrependam-se e voltem-se para Deus, para que seus pecados sejam apagados. Então, da presença do Senhor virão tempos de renovação, e ele enviará novamente Jesus, o Cristo que lhes foi designado. At 3.18-20
...
Mas, a experiência que vivi "de volta ao evangelho" não foi uma troca de lista de afazeres, mas uma troca de afeições.
Ninguém chegou a mim e me disse: "bem Sérgio, você está fora do propósito porque te deram a lista errada de instruções. Agora, pegue essa lista certa e vamos seguir em frente".
A experiência foi outra: em contato com o evangelho e com o coração banhado pela graça, comecei paulatinamente a ter sentimentos que reconheço, biblicamente, serem parecidos com os de Cristo.
E essa influência começou a transformar paulatinamente minha vida.
Um dia de cada vez. Tão longe da perfeição, mas genuinamente redimido por Cristo e sendo transformado por Ele.
Paulo falou disso diversas vezes em sua teologia. Mas quero me ater somente ao texto de Gálatas para exemplificar isso e encorajá-lo a viver como uma influência santa no mundo.
Fui crucificado com Cristo; assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. Portanto, vivo neste corpo terreno pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim. Gl 2.20
Aqui, primeiramente, há uma ideia de identidade espiritual. Paulo se enxerga como alguém crucificado, isto é, alguém identificado com Cristo em Sua morte. Isso mostra que, unidos à Cristo, morremos para o pecado e para toda a toxicidade que havia em nossa vida.
Mas essa união não se trata somente de morte, mas de vida: Uma vida em Cristo.
Paulo não deixou de existir, mas agora ele vive pela fé em Jesus e não pela fé em si próprio. Aqui, há um apontamento da ressurreição, que nos habilita para vivermos o evangelho e obedecermos a Deus.
O último movimento do verso não deve ser ignorado: esse Jesus a quem Paulo tributa sua vida o amou e se entregou por ele.
É aqui que residem as raízes das novas afeições em Cristo: quando somos unidos e crucificados com Ele, as batidas do Seu coração santo passam a ser, de alguma forma, as nossas.
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Então, essa é a santidade cristã: a vida de Cristo passa a ser cada vez mais nossa, nos direcionando a um amor e entrega legítimos, não pela força de regras humanas, mas pelo poder do Espírito Santo.
É dessa maneira que podemos influenciar o mundo de forma santa: encarnando o amor e a entrega de Cristo para sermos verdadeiros embaixadores seus.
Foi assim que Paulo ensinou através das epístolas que nos deixou. Veja alguns exemplos:
Não sejam egoístas, nem tentem impressionar ninguém. Sejam humildes e considerem os outros mais importantes que vocês. Filipenses 2:3 (NVT)
Ajudem a levar os fardos uns dos outros e obedeçam, desse modo, à lei de Cristo. Gálatas 6:2 (NVT)
Não deixem que o mal os vença, mas vençam o mal praticando o bem. Rm 12.21
Essa é a influência do evangelho:
O Cristo que nos amou e se entregou por nós nos convida a, humildemente, nos amarmos e nos entregarmos uns pelos outros.
Uma influência sem medo, sem receios, sem cobranças, sem performance.
Uma influência santa e repleta de amor.
Um influência que não impõe, mas que contagia.
Uma influência que sara os feridos, levanta os abatidos e que nos lembra em amor que há esperança e recomeços em Cristo Jesus.
Conclusão
Realmente nossas avós estavam certas ao afirmar que veríamos muitas coisas.
Mas há apenas uma coisa que desejo ver profundamente: uma igreja consciente de seu chamado e vocação se levantando para glorificar a Cristo.
Cheia de discípulos transformados pelo evangelho;
Que anda no Espírito e não na carne;
Pronta para amar e se entregar!
Uma igreja que comece bem e termine bem, influenciando gerações positivamente, levando corações aos pés de Jesus Cristo!
Que meus olhos vejam isso, para glória de Deus.

Pastor Sérgio Fernandes
Pastor Titular da IPR




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