A Ressurreição de Jesus - sermão 14/11/2025
- Daniel Moraes Andrade
- 12 de dez. de 2025
- 15 min de leitura
Atualizado: 14 de dez. de 2025

"Irmãos, quero lembrá‑los do evangelho que preguei a vocês, o qual receberam e no qual estão firmados. Por meio deste evangelho vocês são salvos, se guardarem firmemente a palavra que preguei a vocês; caso contrário, vocês têm crido em vão. Pois o que primeiramente transmiti a vocês foi o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou no terceiro dia, segundo as Escrituras; apareceu a Cefas e, mais tarde, aos Doze." — 1 Coríntios 15:1-5, NVI
Introdução
Desde pequenos, quase todos nós ouvimos a mesma advertência dentro de casa.
“Não coloque o dedo na tomada.”
Nossos pais repetiam isso a vida inteira. Eles não falavam por exagero, nem por falta de amor, mas porque sabiam de algo que nós ainda não sabíamos. Eles conheciam o perigo real por trás de algo que, aos nossos olhos, parecia inofensivo.
E o que muitas vezes fazemos? Ouvimos o aviso…Entendemos as palavras…Mas, no fundo, pensamos: “Será que é verdade mesmo?”
Alguns só acreditam depois do choque.
Essa pequena cena da infância revela uma grande verdade espiritual: ouvir não é o mesmo que confiar. Receber a informação não significa obedecer à advertência. O problema nunca foi falta de aviso; o problema sempre foi o coração humano, que prefere testar por si mesmo. João 20 começa exatamente assim. Os discípulos tinham ouvido Jesus dizer que ressuscitaria, a Palavra havia sido clara, o aviso havia sido dado.
A madrugada da ressurreição começa com uma frase carregada de significado espiritual: “No primeiro dia da semana, bem cedo, estando ainda escuro…”. João não descreve apenas um horário; descreve um estado da alma humana. A escuridão mencionada não é apenas a ausência de luz solar, mas o retrato de um coração que ainda não compreendeu plenamente o agir de Deus.
A pós-modernidade em que vivemos também se encontra “ainda escura”: relativização da verdade, fé fragilizada, identidade fragmentada e corações cheios de perguntas, porém vazios de respostas. É um mundo que questiona tudo, mas não encontra descanso para a alma. E é exatamente nesse cenário que irrompe a maior luz da história: a ressurreição de Jesus Cristo.
A humanidade corre, mas corre muitas vezes para túmulos errados. Maria Madalena representa essa busca sincera, porém confusa. O túmulo vazio, porém, não anuncia perda — anuncia vitória. Não denuncia ausência — revela presença.
A fé cristã repousa em um acontecimento histórico real: Cristo morreu, foi sepultado e ressuscitou corporalmente. Sem a ressurreição, não há evangelho, nem esperança.
Hoje, convido você a refletir em João 20, observando quatro personagens: Maria Madalena, João, Pedro e o próprio Cristo vivo. Somos chamados a abandonar interpretações precipitadas e a descansar na obra consumada do Senhor.
Vamos refletir em quatro pontos.
1.MARIA MADALENA: QUANDO A DOR CEGA A FÉ (João 20.1–2,nvi)
"No primeiro dia da semana, bem cedo, estando ainda escuro, Maria Madalena chegou ao sepulcro e viu que a pedra da entrada havia sido removida. Então, correu ao encontro de Simão Pedro e do outro discípulo, aquele a quem Jesus amava, e disse: ― Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o colocaram!"
A teologia Joanina de João não desperdiça palavras, cada detalhe é teológico, o escuro não é apenas a ausência de luz matinal — é o cenário espiritual e emocional em que Maria Madalena se encontra. Ela havia visto Jesus morrer. Havia testemunhado a brutalidade da cruz. Ela viu o sepultamento. Agora, a única coisa que lhe restava era visitar o lugar onde o corpo daquele que transformara sua vida estava deitado. Sua vida tinha sido reorganizada pelo Messias; e agora parecia que o Messias havia sido vencido.
A dor real cria sombras reais, as sombras podem cegar, a pós-modernidade tenta nos convencer de que sentimentos são verdades absolutas. Mas, em João 20, vemos que sentimentos podem ser profundos — mas também profundamente equivocados. Maria viu a pedra removida do túmulo e imediatamente concluiu o pior: “Levaram o meu Senhor… e não sabemos onde O puseram.” (v.2). Sua interpretação foi movida pela dor, não pela promessa. Ela tinha ouvido Jesus dizer que ressuscitaria, mas a força do luto obscureceu a memória da Palavra.
J.C. Ryle afirma que Maria “olhou para o túmulo com olhos cheios de lágrimas, e lágrimas distorcem a realidade”.
E é exatamente isso que acontece com muitos cristãos hoje: lágrimas legítimas, porém mal interpretadas, criam convicções falsas. Maria viu o túmulo vazio, mas não viu a ressurreição. Isso nos mostra que evidência sem iluminação não produz fé. Como ensina a teologia reformada, apenas o Espírito pode abrir os olhos para que compreendamos a verdade revelada (1Co 2.14). Maria tinha informação, mas não tinha compreensão espiritual naquele momento.
"loucura; e não é capaz de entendê-las, porque elas são discernidas espiritualmente." -1 Coríntios 2:14,nvi
João Calvino observa que “Maria julgou pelas aparências, como frequentemente fazemos quando a aflição nos visita”. A fé não nega a dor, mas não se curva a ela. Maria correu aos discípulos porque seu coração estava dominado por uma percepção errada: achava que Jesus ainda estava preso à morte. Mas a verdade era justamente o contrário: a morte é que estava derrotada.
João destaca essa tensão não para criticar Maria, mas para nos mostrar que o coração humano é mais rápido em acreditar na tragédia do que na promessa.
No mundo pós-moderno, onde a ansiedade é epidemia, onde a lógica é fragmentada e onde a verdade é relativizada, a experiência de Maria ecoa na vida de muitos. Vivemos num tempo em que a velocidade das notícias, a intensidade das emoções e a superficialidade espiritual criam uma atmosfera de constante escuridão. Muitos veem “pedras removidas” em suas vidas — diagnósticos difíceis, crises familiares, perdas financeiras, portas fechadas — e concluem: “Levaram o Senhor… Deus não está aqui.” Mas essa é exatamente a postura que João quer confrontar: a fé não interpreta a ressurreição à luz das circunstâncias; interpreta as circunstâncias à luz da ressurreição.
Wayne Grudem ensina que a ressurreição “é a resposta definitiva de Deus à fragilidade humana e ao desespero do mundo”. A vida de Maria mostra que Deus não exige que cheguemos ao túmulo com fé perfeita — Ele nos encontra em meio à nossa confusão. Jesus não a repreende por não entender; Ele se revela. O foco do texto não é o erro de Maria, mas a graça de Cristo que ilumina corações confusos.
Maria nos mostra que mesmo pessoas que amam profundamente a Jesus podem ser engolidas por uma dor tão real que passam a enxergar a vida de forma distorcida. Quantos de nós, como ela, corremos para conclusões precipitadas porque o coração está sangrando? Quantos interpretam o silêncio de Deus como ausência, a demora como abandono, a dor como castigo, e o vazio como derrota?
A Bíblia diz: “O coração é enganoso e desesperadamente corrupto” (Jeremias 17.9).
E quando esse coração está ferido, ele interpreta tudo pelo pior ângulo possível.
Quantas vezes, queridos, você olha para um “túmulo vazio” da sua vida — um relacionamento quebrado, um diagnóstico difícil, uma porta que se fechou, um emprego que acabou, um sonho que desmoronou — e diz como Maria:
“Levaram o Senhor… Deus me abandonou.”
Mas a Palavra responde: “Porque eu vivo, vocês também viverão” (João 14.19).“Eis que estou convosco todos os dias” (Mateus 28.20).“Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum” (Salmo 23.4).
O problema não era a ausência de Cristo; era a interpretação de Maria, o problema hoje não é que Cristo está distante; é que muitas vezes estamos olhando para a vida com os olhos cheios de lágrimas — e lágrimas, como diz J.C. Ryle, distorcem nossa visão espiritual.
E é justamente aqui que a ressurreição nos confronta com força - A fé verdadeira não ignora a dor, mas se recusa a ser governada por ela. A fé verdadeira não apaga as lágrimas, mas permite que Cristo enxugue cada uma delas (Apocalipse 21.4). A fé verdadeira não vive das circunstâncias, mas da Palavra que não muda.
QUEM É VOCE DIANTE DA CRUZ ?
2 — JOÃO: QUANDO A PALAVRA ILUMINA ANTES DOS OLHOS VEREM (João 20.3–5, 8)
Pedro e o outro discípulo saíram e foram para o sepulcro. Os dois corriam, mas o outro discípulo foi mais rápido que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro. Ele se curvou e olhou para dentro, viu as faixas de linho ali, mas não entrou. 8Depois o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, também entrou. Ele viu e creu.
João prossegue revelando um detalhe precioso: ao ouvir o relato de Maria, Pedro e João correm em direção ao túmulo. João, mais jovem, chega primeiro. Ele se curva, olha para dentro, vê os lençóis… mas não entra (v.5). É impressionante como o evangelho sublinha a postura desse discípulo: atento, reverente, observador, mas prudente. João não age no impulso; ele olha, percebe, pondera. O texto nos mostra que ele viu, mas não compreendeu plenamente até o momento posterior.
Quando João finalmente entra no túmulo (v.8), o texto diz: “Ele viu e creu.”
Essa frase é uma das mais densas teologicamente em todo o capítulo. O verbo grego para “viu” aqui é eiden, que implica perceber, compreender, enxergar além da aparência. João não apenas viu objetos; ele viu sentido. Ele viu o que Maria não viu. Ele interpretou o que Pedro observou, mas ainda não entendeu.
A fé reformada afirma que “a fé nasce da Palavra” (Rm 10.17). João creu antes de ver Jesus vivo. João creu com base no testemunho da Escritura, não da experiência imediata.
João Calvino comenta:
“João creu porque se lembrou da Palavra. A visão o conduziu ao que Cristo já havia ensinado.”
É exatamente essa a diferença entre João e Maria: Maria viu evidências, mas não interpretou corretamente porque sua mente estava dominada pela dor; João viu evidências menores, mas interpretou corretamente porque sua mente estava saturada da Palavra. A pós-modernidade tem produzido uma geração que quer ver para crer. João nos ensina a crer para ver. Ele nos mostra que a fé que se apoia apenas no visível é sensorial, não espiritual. A fé bíblica é aquela que interpreta o presente à luz do que Deus já disse.
Hernandes Dias Lopes afirma:
“João não creu por causa da luz do túmulo, mas por causa da luz da Palavra.”
João viu os lençóis e o sudário arrumados. Não parece muito. Mas para um coração moldado pelo ensino de Cristo, aquilo era suficiente. A fé de João brota não de uma tumba iluminada, mas de um coração iluminado. Ele reconhece algo que somente o Espírito pode revelar: o túmulo vazio não é sinal de roubo, mas de ressurreição.
Wayne Grudem ensina que a fé salvadora “não é um salto no escuro, mas um passo sobre a Rocha que Deus já revelou”. João não deu um salto cego; ele interpretou tudo à luz do que Jesus já havia apresentado repetidas vezes (Jo 2.19; Jo 10.17-18; Lc 18.31-33).
A diferença entre João e muitos cristãos modernos é que João não precisava que tudo fizesse sentido para confiar. Ele creu mesmo com lacunas, ele creu sem explicações, ele creu sem ver o Cristo ressuscitado. Essa é a fé madura:
fé que caminha com a Palavra quando a vida parece confusa.
No mundo fragmentado da pós-modernidade — onde sentimentos são tratados como absolutos e a verdade é vista como subjetiva — João encarna a essência da fé reformada: a verdade não nasce de dentro; nasce de Deus. João não projetou sua esperança; ele se apoiou na revelação. E isso confronta o coração moderno que exige sensações, provas, sinais instantâneos. João ensina que a fé sólida é construída antes da crise, para permanecer durante a crise.
João nos confronta profundamente De que tem sido feita a sua fé? De emoções momentâneas? De experiências? De “sensações espirituais”? Ou da Palavra eterna?
Quantos crentes hoje vivem oscilando entre altos e baixos porque a fé deles depende do que sentem. Mas João mostrou que a fé não depende do que você sente, mas dependente de quem Cristo é e do que Ele disse.
Jesus declara “Céus e terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão.” (Mt 24.35) E também: “Bem-aventurados os que não viram e creram.” (Jo 20.29)
João viveu essa bem-aventurança antes mesmo de ouvi-la.
Talvez você esteja hoje olhando para circunstâncias que parecem confusas, frágeis, incertas, talvez o túmulo esteja vazio, mas você não entende por quê. Talvez Deus tenha removido algo, mudado algo, permitido algo — e você ainda não consegue interpretar.
Mas a pergunta é: Você vai crer no que sente…ou no que Cristo disse?
A fé de João nos chama a colocar os pés na Palavra antes de exigir explicações, nos chama a confiar no caráter de Deus mesmo quando a vida parece um labirinto. Nos chama a reconhecer que a iluminação não vem do túmulo; vem do Espírito.
O Cristo ressurreto está agindo — mesmo quando você ainda não O viu agindo.
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3 — PEDRO: QUANDO DEUS RECONSTRÓI DISCÍPULOS EM PROCESSO (João 20.6–7)
"A seguir, Simão Pedro, que vinha atrás dele, chegou, entrou no sepulcro e viu as faixas de linho, 7bem como o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus. Ele estava dobrado à parte, separado das faixas de linho."
João observa; Pedro invade. João contempla; Pedro investiga. João analisa; Pedro age. Ambos amam, mas cada um expressa esse amor de modo distinto. Isso mostra que Cristo chama discípulos diferentes, com temperamentos diferentes, mas igualmente amados.
O que torna o relato ainda mais marcante é o histórico de Pedro. João 20 é o retorno de um homem quebrado. Ele havia negado Jesus três vezes, fracassado vergonhosamente, chorado amargamente, carregado culpa e vergonha. Pedro não entra no túmulo como um herói; entra como alguém que precisa desesperadamente da graça de Deus.
João Calvino diz:
“Pedro se aproxima não porque é forte, mas porque a graça de Cristo o atrai novamente.”
O túmulo vazio, para Pedro, não é apenas um milagre; é uma promessa de restauração. Pedro entra porque precisa ver com seus próprios olhos que a história não termina no seu pecado. A pós-modernidade tenta convencer o indivíduo de que fracassos definem identidades. Mas o Evangelho diz que Cristo define identidades, não pecados.
Observe que Pedro “viu os lençóis postos ali”. O verbo grego aqui é theōreō, que indica observar atentamente, investigar, examinar com profundidade. Pedro olha e percebe ordem, não desespero. Percebe intencionalidade, não roubo. Percebe soberania, não caos. Cristo ressuscitou de maneira tão consciente, tão majestosa, que até os lenços testificam sua autoridade.
Hernandes Dias Lopes comenta:
“O Cristo ressuscitado não ressuscita apenas corpos; ressuscita vocações, ministérios e corações quebrados.”
A cena do túmulo vazio prepara João 21, onde Cristo restaurará Pedro publicamente. Mas antes da restauração pública, vem a esperança silenciosa.
a graça já está trabalhando antes mesmo de Pedro ouvir seu nome novamente.
O túmulo vazio é a prova de que Pedro não está excluído. É a promessa de que Cristo ainda vai falar com ele.
Wayne Grudem diz que “a ressurreição é o selo de Deus garantindo que o perdão é completo”. Por isso Pedro corre. Por isso entra. Porque, no fundo, ele sabe que se Jesus está vivo, então a culpa não tem a palavra final.
Pedro representa todo cristão que já vacilou na fé, todo crente que já negou Jesus com atitudes, silêncio ou medo, tem discípulo que tem mais cicatrizes do que vitórias. Todo servo de Deus que já chorou amargamente após um pecado. E ainda assim, corre para Cristo.
A pós-modernidade, marcada por cancelamento, acusações rápidas, rótulos permanentes, não entende o Evangelho. O mundo diz: “Se falhou, não serve mais.” Cristo diz: “Se caiu, levanto você. Deus proclama ao mundo moderno:
“Eu faço novas todas as coisas — inclusive discípulos quebrados.”
Pedro nos confronta com uma verdade profunda e pessoal: Não é o seu pecado que determina o que Deus fará com você — é a ressurreição de Cristo.
Talvez você, como Pedro, carregue lembranças que te envergonham, talvez tenha negado Cristo não com palavras, mas com escolhas erradas, talvez se afastou da casa do Pai. Talvez caiu feio. Mas escute o Evangelho.
“Onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5.20).“Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar” (1Jo 1.9).“Aquele que começou boa obra a completará” (Fp 1.6).
Pedro entrou porque a graça o puxou, e hoje, Cristo está puxando você também.
O túmulo vazio esta dizendo “Seu fracasso não é final.” “Seu pecado não é maior que Minha graça.” “Eu ressuscitei — e a sua história também pode ressuscitar aqui hoje, AGORA”
Você vai continuar fugindo de Cristo por causa da culpa… ou vai correr para Ele como fez Pedro, confiando que a ressurreição é maior do que o seu passado?
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4—A SOBERANIA DE DEUS NO CAOS HUMANO (João 20.7-9)
“e o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus não estava com os lençóis, mas enrolado num lugar à parte. Então o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, também entrou. Ele viu e creu. (Eles ainda não tinham compreendido a Escritura que dizia que Jesus haveria de ressuscitar dos mortos.)”
Entre todos os detalhes que João descreve, um deles é absolutamente surpreendente:“…e o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus, não posto com os lençóis, mas enrolado num lugar à parte.” (v.7)
Por que João faz questão de mencionar isso? Porque teologia vive nos detalhes, o Espírito Santo inspirou João a registrar algo que, à primeira vista, é tão pequeno — um pedaço de tecido dobrado — mas que carrega implicações imensas sobre a soberania de Cristo, a ordem da ressurreição e a forma como Deus age até nos momentos mais caóticos da história humana.
João destaca que o sepulcro não era um cenário de correria, não havia bagunça, não havia sinal de invasão, não havia tumulto. Os lençóis estavam no lugar. E o sudário estava dobrado, separado, organizado, colocado com intenção. Isso revela algo extraordinário.
A ressurreição não foi um ato caótico, mas um ato soberano.
Cristo não saiu da morte correndo. Ele saiu reinando.
João Calvino comenta:
“Tudo na ressurreição aponta para a majestade de Cristo. Até os lençóis obedecem ao Rei.”
Deus não apenas derrotou a morte, mas o fez com majestade, calma e autoridade. Isso confronta a visão secular e pós-moderna que imagina Deus como alguém que reage ao caos. O texto mostra o oposto.
Deus nunca reage — Ele sempre reina.
Para uma geração que vive cercada de crises, ansiedades, depressão, suicídio desenfreado, notícias de guerra, instabilidade emocional e insegurança existencial, esse detalhe é um sermão silencioso que grita, Mesmo quando parece que tudo está desmoronando, Deus está absolutamente no controle. Ele é absoluto, suficiente.
Hernandes Dias Lopes destaca que “a ordem do túmulo revela a ordem do Reino”. Nada escapa da mão soberana de Deus. Não há improviso na ressurreição. Cristo não voltou à vida se debatendo; voltou triunfando. Ele não precisou derrubar lençóis; Ele os deixou como testemunhas de que a morte não teve poder de reter sua glória.
Wayne Grudem ensina que “a ressurreição é o centro da doutrina cristã porque garante que Deus governa história, tempo, vida e morte”. Ou seja, Cristo não ressuscita como alguém indefeso; ressuscita como o Senhor de todas as coisas. Ele deixa até os detalhes organizados para mostrar que nada — absolutamente nada — fugiu ao seu governo.
Para Pedro e João, esse detalhe era essencial. O túmulo arrumado mostrava que ninguém roubou o corpo. O sudário dobrado mostrava que Jesus saiu vivo, consciente, soberano. A ordem mostrava autoridade. A ausência de bagunça mostrava propósito.
A pós-modernidade vive num redemoinho de emoções, e muitos crentes têm uma fé moldada por tempestades. O texto ensina que cristianismo não é caos emocional, mas solidez em Cristo ressuscitado. Nosso Deus não age na base do improviso. Ele não é surpreendido. Ele não é pego desprevenido. Ele não é vencido pela morte — pelo contrário, Ele a dobra, organiza e coloca cada peça em seu lugar.
O túmulo organizado é um testemunho silencioso dessa declaração. Até o sudário dobrado diz:“ Eu governei a morte.”
O túmulo ordenado confronta a nossa alma em áreas muito pessoais.
Caos interno, medos profundos, ansiedade, pressão, dores acumuladas, questões sem resposta, Pensamentos desorganizados, Caminhos que não entendemos.
Mas o Cristo ressuscitado — o Cristo do sudário dobrado — nos lembra .
“Eu continuo no controle, mesmo quando você não está.”
“Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8.28).
“O Senhor firma os passos de quem nele se agrada” (Sl 37.23).
“Ele é antes de todas as coisas, e nEle tudo subsiste” (Cl 1.17).
Antes de Cristo aparecer a Maria, antes de falar com Pedro, antes de acalmar corações, Ele já estava organizando tudo dentro do túmulo. E isso significa que Deus já está trabalhando nos bastidores da sua vida antes mesmo de você perceber.
O túmulo arrumado é a garantia de que:✔ A sua história não está fora de controle.✔ A sua dor não é acidental.✔ A sua crise não é o fim.✔ O caos não tem a palavra final.✔ Cristo está trabalhando onde você não vê.
QUEM É VOCE DIANTE DA CRUZ ?
CONCLUSÃO
Meus irmãos, depois de caminharmos com Maria, Pedro e João naquela madrugada sagrada, entendemos algo que não pode ficar apenas no intelecto, a ressurreição não é um evento para ser explicado; é uma verdade para vivida. Ela não é apenas doutrina — é relacionamento, não é apenas história — é vida.
Maria nos mostrou que Deus honra quem O busca mesmo chorando, Pedro nos mostrou que Deus restaura quem O ama mesmo falhando e João nos mostrou que Deus ilumina quem O segue mesmo sem compreender tudo.
Irmãos, o túmulo vazio não é apenas uma prova histórica, é um confronto espiritual.
Esse capitulo 20, Jesus nos ensina que não basta amar, correr ou observar. É preciso crer, se render e obedecer.
Maria amava, mas ainda buscava um Jesus morto, Pedro correu, mas ainda carregava culpa e João viu, mas precisou crer.
E Jesus, silenciosamente, nos ensina, não fui ressuscitado para ser lembrado, fui ressuscitado para ser seguido.
O túmulo vazio confronta nossa fé superficialmente, confronta uma igreja que canta sobre a ressurreição, mas vive como se Cristo ainda estivesse no sepulcro. Confronta um cristianismo acomodado, sem temor, sem arrependimento, sem rendição.
O ensino de Jesus neste texto é claro, quem crê vê; quem não crê, interpreta tudo errado, a pedra removida é esperança para quem crê, mas confusa para quem apenas observa.
Hoje, o Cristo ressuscitado pergunta a cada coração nesta manha,
Você está buscando um Jesus vivo ou apenas preservando uma memória religiosa?
Você corre para o túmulo vazio ou continua preso à culpa, ao medo e ao passado?
A ressurreição exige resposta, ou você se rende ao Cristo vivo, ou continuará vivendo como se Ele estivesse morto. Porque se Jesus ressuscitou — então Ele é Senhor!
Ele governa, Ele exige arrependimento, Ele chama para uma vida nova.
O túmulo está vazio, a cruz está resolvida, irmãos a graça está disponível.
Mas agora a pergunta não é sobre eles — é sobre você. A ressurreição foi escrita para ser vivida. Cristo saiu do túmulo para perdoar pecados, restaurar histórias e acender uma esperança que não decepciona.
Que o Cristo vivo governe sua fé, organize seu caos e conduza sua vida e historia.
E o próprio Senhor nos confronta amorosamente com Suas palavras:
“Se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, eu não o julgo; pois não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo. Há um juiz para quem rejeita as minhas palavras; a própria palavra que proferi o julgará no último dia.”— João 12:47–48, NVI
O que falta não é prova, é rendição.
A ressurreição nos coloca diante de uma decisão inevitável HOJE. Não basta ouvir sobre o Cristo vivo — é preciso responder a Ele. O túmulo está vazio, o Salvador está vivo, e Sua Palavra continua chamando hoje.
Deus te abençoe.

Pastor Daniel Andrade
Pastor Adjunto da IPR



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