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As Primeiras 3h na Cruz - sermão 10/11/2025

Atualizado: 13 de dez. de 2025


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"Por isso, eu lhe darei um lugar de honra; ele receberá a sua recompensa junto com os grandes e os poderosos. Pois ele deu a sua própria vida e foi tratado como se fosse um criminoso. Ele levou a culpa dos pecados de muitos e orou pedindo que eles fossem perdoados." — Isaías 53:12, NTLH


Introdução


Um condenado à morte recebeu a pergunta tradicional: “Qual é o seu último pedido? ”Esperavam comida, bebida, um conforto final. Mas ele levantou os olhos e disse:— “Eu queria… mais um minuto de vida. ”O carrasco respondeu:— “Isso ninguém pode te dar.”

No Calvário, um homem em seus últimos minutos descobriu que não precisava de mais um minuto de vida, mas de Aquele que é a vida eterna. O que nenhum homem pode dar… Jesus deu na cruz.


A cena diante de nós é o ápice da revelação de Deus na história. Não é apenas a morte de um justo. Não é um mártir. Não é um profeta. É o próprio Deus encarnado, despido, açoitado, zombado, agonizando entre dois criminosos. O Calvário é o lugar onde Deus resolve aquilo que nenhum homem poderia resolver: o problema do pecado, da culpa e do destino eterno da humanidade.

E enquanto os pregadores zombam, os soldados escarnecem, as multidões observam, e os líderes religiosos insultam, algo extraordinário acontece: no pior ambiente possível, surge o maior milagre possível: a conversão de um homem no último minuto da vida.

Jesus está na cruz, mas ainda salva. Jesus está ferido, mas ainda perdoa. Jesus está sangrando, mas ainda ouve. Jesus está morrendo… mas ainda dá vida.

É sobre isso que este texto fala: uma graça que desce até o fundo do poço humano, uma misericórdia que alcança o inalcançável, uma salvação que rompe o inferno, a culpa e o passado.


1. A CENA DA CRUZ REVELA A VERDADE SOBRE O SER HUMANO (Lucas 23.33–39)

Quando chegaram ao lugar chamado Caveira, ali o crucificaram com os criminosos, um à sua direita e outro à sua esquerda. Jesus disse: ― Pai, perdoa‑lhes, pois não sabem o que fazem. Então, dividiram as roupas dele, lançando sortes. O povo ficou observando, e as autoridades o ridicularizavam. ― Salvou os outros — diziam —; deixe‑o salvar a si mesmo, se é o Cristo de Deus, o Escolhido. Os soldados, aproximando‑se, também zombavam dele. Oferecendo‑lhe vinagre, disseram: ― Se você é o rei dos judeus, salve a você mesmo. Havia uma inscrição acima dele que dizia: Este é o Rei dos Judeus. Um dos criminosos que ali estavam dependurados lançava‑lhe insultos: ― Você não é o Cristo? Salve a você mesmo e a nós!

O texto começa mostrando a realidade brutal da humanidade sem Deus. A cruz expõe o ser humano como ele realmente é: perdido, culpado, rebelde, cego, orgulhoso e incapaz de se salvar.

Sempre pensamos que somos melhores do que realmente somos. Mas à sombra da cruz, ninguém sustenta seu argumento. A cruz remove toda maquiagem espiritual, toda aparência religiosa, toda autojustiça.

“Quando chegaram a um lugar chamado Caveira, ali o crucificaram.” Na cruz, vemos:


1.1. O homem é pecador por natureza

Os dois ladrões não eram vítimas do sistema. Eram culpados. A cruz deles era consequência lógica de suas escolhas. Representam a humanidade escravizada pelo pecado.

Romanos 3.23 declara: “Todos pecaram e carecem da glória de Deus. ”O Calvário revela que nenhum homem é neutro. Todos somos culpados. A cruz não deixa espaço para orgulho.

1.2. O homem é injusto com Deus

O povo observa como quem assiste um espetáculo. Os soldados zombam. Os líderes religiosos escarnecem. Como pode a criatura olhar para seu Criador sangrando e reagir com desprezo? É isso que o pecado faz: ele cega, embrutece, desfigura.

Wayne Grudem afirma que a doutrina do pecado não é psicológica, mas teológica: o pecado é um ataque à santidade de Deus. A humanidade não apenas desobedece; ela rejeita a Deus, ridiculariza a Deus e tenta anular a Deus.

E aqui está a realidade triste: ainda hoje a humanidade continua fazendo isso. Zomba de Cristo. Despreza a Palavra. Desdenha do evangelho. Ridiculariza o sangue. Escolhe Barrabás todos os dias.


1.3. O homem tenta se salvar por suas próprias obras

O ladrão insultante diz: “Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo e a nós.” Perceba o “espírito moderno” nesse ladrão:

  • Jesus só serve se resolver meus problemas.

  • Jesus só é Cristo se fizer do meu jeito.

  • Jesus só tem valor se atender minhas demandas.

O homem moderno vive a mesma teologia do ladrão insolente: “Se Deus existe, Ele tem que fazer isso. Se Ele não fizer, não creio.”

A cruz expõe essa arrogância. O homem culpado, preso, condenado… dando ordens ao Salvador.



Você pode estar a 5 metros da cruz e ainda assim estar perdido. Você pode conhecer a Bíblia, mas zombar do Deus da Bíblia. Você pode estar na igreja, mas viver insultando a graça pela incredulidade. Você pode estar vivo hoje, mas espiritualmente tão morto quanto o ladrão insolente.


A cruz revela que não existe neutralidade. Ou você é o ladrão que se arrepende ou você é o ladrão que endurece.


Agora que vimos quem somos diante da cruz, veremos quem Cristo é diante de nós.


2. A PALAVRA DE JESUS REVELA A VERDADE SOBRE A GRAÇA

(Lucas 23.40–42)


Se o primeiro ladrão representa a arrogância humana, o orgulho, a exigência e a dureza espiritual, o segundo ladrão representa o oposto absoluto: arrependimento, consciência, temor e fé. O texto diz que, ao ouvir a blasfêmia do outro criminoso, ele reage imediatamente. Sua alma desperta, sua consciência é ativada, e aquilo que estava morto dentro dele finalmente revive. É o milagre do arrependimento verdadeiro, uma obra exclusivamente do Espírito Santo.


A Bíblia diz: “Mas o outro criminoso o repreendeu” (v. 40). Aqui está um dos atos mais lindos de coragem espiritual em toda a Bíblia. No momento da morte, enquanto soldados zombam, líderes religiosos insultam, a multidão observa com desprezo e até mesmo o companheiro de cruz blasfema, esse homem se levanta — não com as pernas, mas com a voz. Ele defende Jesus. Ele exalta Jesus. Ele se posiciona ao lado do Cristo crucificado.


Se o primeiro ponto revela o homem, este segundo revela a graça de Deus — e é aqui que a luz invade a escuridão.

Enquanto um ladrão blasfema, o outro desperta. Não sabemos o que desencadeou isso. Pode ter sido o amor de Cristo orando pelos inimigos. Pode ter sido o silêncio majestoso de Jesus diante das provocações. Pode ter sido o próprio Espírito abrindo sua mente.

Mas o texto descreve um milagre: em meio ao caos, nasce fé.


2.1. A graça desperta temor a Deus

O ladrão arrependido diz: “Você nem teme a Deus?” Temor não é medo. Temor é percepção da santidade. É consciência do pecado. É clareza espiritual. A graça começa aqui: quando o homem percebe quem Deus é e quem ele é. Sem temor, não há conversão.


2.2. A graça produz confissão de pecado

O ladrão reconhece: “Nós sofremos justamente.” Isso é raro hoje. O mundo moderno nunca assume culpa. A psicologia humanista culpa pais, sociedade, sistema, traumas, infância…Mas o ladrão arrependido diz: “Eu pequei.”

Essa é a obra da graça: quebrar o orgulho, rasgar a alma, expor a ferida, arrancar a máscara.


2.3. A graça revela que Cristo é inocente e santo

Ele continua: “Este nada fez de errado.” Teologia pura. Cristologia pura. Ele reconhece Jesus como justo, santo, inocente.

Em poucos segundos, esse homem desenvolve mais teologia do que muitos religiosos em toda a vida. A graça ilumina rápido. O Espírito abre a mente. Ele entende que Cristo está sofrendo, mas não por Si — por nós.


2.4. A graça faz o pecador clamar por salvação

O ápice: “Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu Reino.”

Observe:

  • Ele não diz “se vieres”, mas quando vieres.

  • Ele não pede livramento da cruz, mas salvação eterna.

  • Ele não pede conforto temporal, mas redenção eterna.

Esse pedido é simples, humilde, puro e profundo. A teologia sistemática

chama isso de fé salvadora : conhecimento → concordância → confiança.



Você pode estar no fim da vida, mas ainda tem chance, você pode ter destruído sua família, mas ainda tem chance, você pode ter um passado sujo, mas Cristo ainda te lembra, você pode ter sido religioso a vida inteira e nunca convertido — e Cristo ainda chama.

Mas aqui vai a advertência: O ladrão se converteu no último minuto para que ninguém desespere, mas apenas um se converteu para que ninguém abuse da graça.


Vimos o homem e vimos a graça. Agora veremos o clímax do texto: a promessa do Salvador.


3. A PROMESSA DE JESUS REVELA A VERDADE SOBRE A SALVAÇÃO (Lucas 23.43)

"Jesus respondeu: — Eu afirmo a você que isto é verdade: hoje você estará comigo no paraíso."

Quando chegamos ao verso 43, entramos em um dos cumes mais altos da revelação da graça de Deus. Tudo o que foi construído até aqui — a zombaria dos líderes, o escárnio dos soldados, o arrependimento do ladrão, o silêncio majestoso de Cristo — culmina agora em uma frase que rasga o véu da eternidade e escancara o coração salvador de Deus: “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso.” Cada palavra dessa frase é uma montanha de teologia, uma catedral de esperança e um terremoto de graça.


O ladrão não pediu tudo isso. Ele não ousou pedir o Paraíso. Não pediu perdão explícito. Não pediu um lugar especial. Não pediu vida eterna. Ele pediu apenas: “Lembra-te de mim.” Um pedido pequeno, humilde, quebrado, nascido de um coração esmagado. Mas Jesus, o Rei crucificado, responde muito além do que ele pediu. Ele não dá lembrança; Ele dá presença. Ele não dá uma chance futura; Ele dá hoje. Ele não dá migalhas de misericórdia; Ele dá Paraíso. Ele não dá distância; Ele dá comigo.


Aqui vemos a glória de Cristo como o único Salvador. Aqui vemos a suficiência da cruz. Aqui vemos a graça que não apenas perdoa, mas transforma destino eterno. Aqui vemos a promessa que sustenta cada servo fiel que prega, cada missionário que evangeliza, cada pecador que se arrepende. Aqui está o evangelho inteiro comprimido em uma única sentença.


Vamos mergulhar em cada detalhe, porque cada palavra carrega vida — e hoje, nesta geração inquieta, acelerada, ansiosa, saturada de medo, estes três elementos são como fogo nos ossos: urgência (“hoje”), comunhão (“comigo”), destino eterno (“Paraíso”).


Jesus responde: “Hoje estarás comigo no paraíso.” aqui está uma das declarações mais belas, gloriosas e profundas de toda a Escritura, uma sentença, três promessas eternas.


3.1. “Hoje” — A salvação é imediata

Não existe purgatório. Não existe espera. Não existe processo. Não existe escada espiritual. Não existe obras compensatórias.

A Bíblia jamais ensinou pós-morte intermediário. A fé católica posterior o criou, mas o texto destrói essa ideia: Hoje. Agora. No momento da morte.

Paulo confirma: “Ausentes do corpo, presentes com o Senhor.” (2Co 5.8)

3.2. “Estarás comigo” — A salvação é relacional

O céu não é céu por causa das ruas de ouro. O céu não é céu por causa dos anjos. O céu não é céu por causa da ausência do pecado. O céu é céu porque Cristo está lá.

A essência da salvação não é um lugar. É uma pessoa.

A promessa não é: “Você estará no paraíso. ”Mas: “Você estará COMIGO.”

O pecador que nunca esteve com Cristo em vida…estará com Cristo na eternidade.


3.3. “No paraíso” — A salvação é gloriosa

O termo “paraíso” remete ao Éden. O Éden perdido em Gênesis é o Éden recuperado em Cristo. A salvação não é apenas perdão de pecados. É vida eterna, nova criação, restauração completa.


O homem entrou no Éden condenado pelo pecado. Agora entra no paraíso pela graça.



Seu passado não define seu futuro, o diabo não tem a última palavra sobre sua vida.

A culpa não é seu destino. Você pode estar entre duas cruzes hoje — mas Cristo está na do meio. Se você clamar, Ele responde. Se você pedir, Ele salva. Se você render o coração, Ele transforma. Se você se arrepender, Ele te recebe. Se você crer, Ele te leva para o paraíso.


A história começou com dois ladrões e termina com um homem transformado. Agora precisamos olhar para nós mesmos.



CONCLUSÃO


O texto nos mostrou três verdades eternas:

  1. A cruz revela quem nós somos: pecadores, culpados, necessitados.

  2. A graça revela quem Cristo é: santo, misericordioso, salvador.

  3. A promessa revela o que Ele oferece: hoje, conosco, no paraíso.

Mas agora a pergunta mais importante: Quem é você nessa história?

Você é o ladrão que endureceu? Ou o ladrão que clamou? Você está perto da cruz, mas longe de Cristo? Você reconhece sua culpa ou se justifica? Você olha para Jesus como último recurso ou como único Salvador?

Você quer que Ele salve sua vida… ou sua alma?

Cristo continua no mesmo lugar: Salvando. Perdoando. Chamando. Hoje Ele diz a você:


“Ainda dá tempo.”


Quando o condenado pediu “mais um minuto” de vida, ninguém pôde dar. Mas quando o ladrão pediu “lembra-te de mim”, Jesus deu a eternidade.

Hoje, neste culto, neste momento, Cristo está diante de você. Não amanhã. Não depois. Não quando você melhorar. Hoje.


Se você entregar sua vida, sua culpa, seu passado, seu coração…Ele responderá com a mesma voz que ecoou na cruz:


“Hoje estarás comigo.”


Que o Espírito Santo abra seus olhos.Que Cristo toque seu coração.E que você seja hoje o ladrão que se arrepende e encontra graça.


DEUS TE ABENÇOE.



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Pastor Daniel Andrade

Pastor Adjunto da IPR

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