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PERSEVERANDO QUANDO NADA FAZ SENTIDO - sermão 04/01/2026


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" Portanto, nós também, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para Jesus, o Autor e Consumador da fé, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à direita do trono de Deus. Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma." Hebreus 12.1–3, NVI

Introdução


Em nossas vida há um cansaço que não é físico, dormimos, mas acordamos exaustos, trabalhamos, mas sem alegria, oramos, mas parece que as palavras não ultrapassam o teto. É o cansaço da alma. Muitos cristãos amam a Deus, servem na igreja, mantêm uma aparência espiritual saudável, mas por dentro estão lutando para não desistir.


Há momentos na caminhada cristã em que a vida perde o sentido antes de perder a fé, a pessoa continua crendo em Deus, mas já não entende o que Ele está fazendo. Ora, mas parece que o céu está em silêncio. Lê a Bíblia, mas o coração não se aquece. Frequenta a igreja, mas sente-se internamente esgotada. É possível amar a Deus e, ainda assim, estar profundamente cansado por dentro.


A Bíblia não ignora esse estado da alma. Ela o nomeia. Em Hebreus 12.3, o autor fala de um perigo real: “para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma.” Não é o corpo que desmaia primeiro, é a alma. Antes de alguém abandonar a fé publicamente, quase sempre já desistiu silenciosamente por dentro.

Vivemos dias em que muitos cristãos estão emocionalmente exaustos. A ciência descreve esse quadro como ansiedade persistente, depressão reativa, burnout emocional. A fé cristã não nega essas realidades, nem as espiritualiza de forma irresponsável. Pelo contrário, o evangelho trata o ser humano de forma integral. Somos corpo, mente, emoções e espírito. Quando uma dessas áreas adoece, toda a caminhada é afetada.


O grande erro não é sentir cansaço. O erro é achar que sentir cansaço é sinal de falta de fé. A Bíblia nos mostra homens e mulheres de Deus que perseveraram, mas não sem lágrimas. Davi chorou. Jeremias lamentou. Elias pediu para morrer. O próprio Senhor Jesus, no Getsêmani, confessou: “A minha alma está profundamente triste até à morte” (Mateus 26.38). Isso não era pecado; era humanidade santa.


Hebreus foi escrito para crentes feridos, perseguidos, cansados e tentados a desistir. Eles haviam perdido bens, segurança, liberdade e, em alguns casos, familiares. O texto não os repreende com dureza, mas os exorta com ternura: “Corramos com perseverança a carreira que nos está proposta.” Não é um chamado à pressa, mas à constância. Não é uma corrida de cem metros, mas uma maratona espiritual.

Perseverar, portanto, não é negar a dor, nem fingir força. Perseverar é continuar caminhando mesmo quando as pernas tremem e o coração pesa. É decidir permanecer quando a lógica falha, quando as emoções oscilam e quando as respostas não chegam.


O autor de Hebreus aponta o caminho para essa perseverança, não é olhar para dentro, nem apenas para as circunstâncias, mas olhar firmemente para Jesus, o Autor e Consumador da fé. O problema de muitos cristãos cansados não é falta de compromisso, mas excesso de peso. Eles estão tentando correr carregando fardos que Cristo já levou na cruz.


Essa reflexão 1 domingo do ano não é para quem nunca se cansou. É para quem está cansado e, ainda assim, não quer desistir. É para quem ama a Deus, mas sente a alma frágil. É para quem persevera, mesmo quando nada faz sentido.


Talvez você esteja aqui hoje e ninguém saiba, mas você está vivendo no modo automático. Você ora, mas ora cansado. Canta, mas sem força. Sorri, mas por dentro está esgotado. Você ama a Deus, mas não entende o que Ele está fazendo. E deixa eu dizer algo com muito carinho, isso não faz de você um cristão fraco; faz de você um cristão humano. O perigo não é estar cansado. O perigo é continuar cansado e fingir que está tudo bem.


Deus não te trouxe aqui hoje para te cobrar força, mas para te oferecer descanso.”


" Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma." — Hebreus 12.3 NVI

A carta aos Hebreus foi escrita a cristãos cansados, perseguidos e desanimados, muitos pensavam em retroceder, o autor agora nos exorta. Não parem, não desistam, não abandonem a fé.


Perseverar quando nada faz sentido, só é possível quando nossos olhos estão firmemente fixos em Cristo. Vamos refletir 4 pontos importantes.


1–PERSEVERAR EXIGE DESAPEGAR DO PESO E DO PECADO

"Portanto, nós também, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta." — Hebreus 12.1 NVI

O autor de Hebreus começa a exortação com uma imagem muito clara, ninguém corre bem carregando peso desnecessário, a perseverança cristã não falha apenas por falta de fé, mas, muitas vezes, por excesso de carga; ele faz uma distinção intencional entre peso e pecado. O pecado precisa ser abandonado porque nos escraviza; o peso precisa ser deixado porque nos cansa.

Aqui está uma verdade pastoral essencial, nem tudo o que nos impede de perseverar é pecado, mas tudo o que nos impede de correr precisa ser tratado. Há cristãos fiéis que não estão dominados por pecados escandalosos, mas por fardos emocionais silenciosos: culpas antigas, expectativas irreais, traumas não resolvidos, medo constante, solidão, autocobrança excessiva. Esses pesos não aparecem no púlpito, mas esmagam o coração.

A Bíblia nos mostra isso de forma clara, muito humana na vida do profeta Elias.


Elias: um homem de Deus exausto de alma

Elias havia experimentado um dos maiores milagres do Antigo Testamento no monte Carmelo. Fogo caiu do céu. O povo reconheceu que o Senhor é Deus. Os profetas de Baal foram derrotados. Humanamente falando, era o auge do ministério. Mas logo depois, em 1 Reis 19, vemos um Elias completamente diferente.


“Então, ele teve medo, levantou-se e, para salvar a sua vida, se foi… Ele mesmo, porém, foi ao deserto, caminho de um dia, e veio e se assentou debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte, dizendo: Basta; toma agora, ó Senhor, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais.” - 1 Reis 19.3-4 NVI

Isso não é falta de fé; é esgotamento, Elias não caiu em pecado moral. Ele caiu sob o peso do medo, da solidão e da exaustão emocional. O profeta que enfrentou reis agora foge de uma ameaça. O homem que orou com poder agora pede para morrer.

Aqui aprendemos algo fundamental para a fé saudável: Deus não repreende Elias primeiro; Deus cuida dele primeiro. O Senhor o faz dormir, comer e descansar.


“Deitou-se e dormiu debaixo do zimbro; eis que um anjo o tocou e lhe disse: Levanta-te e come. Olhou, e eis junto à cabeceira um pão cozido sobre brasas e uma botija de água.” - 1 Reis 19.5-6 NVI

Antes de corrigir a teologia de Elias, Deus trata sua exaustão. Isso é profundamente pastoral e nos ensina que perseverar exige reconhecer limites.

Não somos menos espirituais por precisar pausar, descansar e pedir ajuda.

Quantos hoje não estão desistindo da corrida cristã porque estão tentando correr feridos, cansados e sobrecarregados? Estão espiritualmente vivos, mas emocionalmente exaustos.

Jesus ecoa essa mesma verdade no Novo Testamento:

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.” -  Mateus 11.28 NVI

Perseverar exige humildade para soltar os pesos aos pés da cruz, ... Deus não espera que você seja invencível, (o incrível Huck). Ele espera que você seja dependente dEle.

“Muitos desistem da fé não porque deixaram de crer em Deus, mas porque tentaram caminhar sozinhos com fardos que Deus nunca pediu que carregassem.”

Tem gente que não caiu em pecado, mas está caindo de cansaço. Você não está vivendo em rebeldia; você está sobrecarregado. Você está tentando ser forte o tempo todo, para todo mundo, e isso está te esmagando. Elias não caiu porque perdeu a fé; ele caiu porque estava exausto. E Deus não o acusou — Deus o alimentou, o fez dormir e o levantou aos poucos.


Talvez hoje o que você precisa não é de mais cobrança espiritual, mas de admitir:

‘eu preciso pausar, respirar e pedir ajuda’.



2–PERSEVERAR É CAMINHAR POR FÉ, NÃO POR EMOÇÃO

“Visto que andamos por fé e não pelo que vemos.” - 2 Coríntios 5.7 NVI

Um dos maiores desafios da perseverança cristã é aprender a lidar corretamente com as emoções. Emoções não são pecado. Deus nos criou com capacidade de sentir. O problema surge quando as emoções se tornam o termômetro absoluto da verdade. Quando isso acontece, a fé enfraquece, porque sentimentos são instáveis, enquanto a Palavra de Deus é firme.

O apóstolo Paulo não diz que ignoramos o que vemos ou sentimos, mas que não somos governados por isso. Andar por fé é submeter as emoções à verdade revelada, não o contrário. Em períodos de ansiedade, aparece o medo ou tristeza profunda, o coração envia sinais distorcidos. A mente interpreta a realidade de forma sombria, a fé entra exatamente nesse ponto: ela ancora a alma em quem Deus é, não em como nos sentimos.


A ciência reconhece que estados emocionais intensos podem alterar a percepção da realidade. A Bíblia já ensinava isso séculos antes. Por isso, o evangelho não nos chama a negar a emoção, mas a discipliná-la à luz da verdade.

Um exemplo poderoso disso está na vida do profeta Habacuque.


Habacuque: fé quando as emoções gritam o contrário

Habacuque inicia seu livro profundamente angustiado. Ele olha para a violência, a injustiça e o silêncio de Deus e pergunta:

“Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás?” - Habacuque 1.2 NVI

Habacuque não esconde seus sentimentos, ele questiona, lamenta e se angustia. Isso não é incredulidade; é fé em conflito. O profeta não se afasta de Deus — ele fala com Deus. Aqui aprendemos algo essencial:

fé saudável não é ausência de perguntas, é levar as perguntas ao lugar certo.

À medida que o livro avança, Deus não muda imediatamente as circunstâncias, mas muda o eixo da confiança do profeta. O ponto central chega em Habacuque 2.4:

“O justo viverá pela sua fé.” - Habacuque 2.4 NVI

Habacuque aprende que a vida não será conduzida por explicações completas, mas por confiança contínua. No capítulo final, o profeta chega a uma das declarações mais maduras de perseverança em toda a Escritura:

“Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação.” - Habacuque 3.17–18 NVI

Perceba, as circunstâncias não mudaram, o sentimento natural seria desespero. Mas Habacuque decide não viver refém da emoção, ele ancora sua alma na fidelidade de Deus.

Há dias em que você acorda sem ânimo, sem alegria, sem sensação de fé. Isso não significa que Deus se afastou. Significa que você precisa lembrar a sua alma quem governa a história.

O salmista faz exatamente isso:

“Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei.” - Salmo 42.5 NVI

Ele não ignora o abatimento, mas também não se submete a ele.

“Quando a fé se curva às emoções, a alma se perde; quando as emoções se submetem à fé, a esperança permanece.”

Há dias em que você acorda e o coração já está pesado, nada aconteceu, mas tudo parece errado. Você lê a Bíblia, mas não sente nada. Você ora, mas não sente paz. E você pensa: ‘Será que Deus se afastou?’ Não. Quem se afastou foi a sua emoção da verdade. Habacuque nos ensina que fé não é sentir Deus o tempo todo, é confiar mesmo quando não sentimos.


Você não precisa sentir fé para obedecer, as vezes, obedecer vem antes de sentir.”


3–PERSEVERAR PRODUZ MATURIDADE

“E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado.” - Romanos 5.3–5 NVI

A Bíblia nunca afirma que o sofrimento, por si só, transforma alguém. Dor sem Deus pode gerar amargura, endurecimento e desespero. Contudo, a dor vivida na presença de Deus torna-se um instrumento poderoso de formação espiritual. Paulo não diz que a tribulação é boa, mas que ela produz algo quando enfrentada com perseverança.


Esse processo é gradual: tribulação → perseverança → experiência → esperança. Não é instantâneo, nem superficial. Deus trabalha em camadas profundas da alma. Perseverar, portanto, não é apenas sobreviver à dor, é permitir que Deus use a dor para nos amadurecer.

Um dos maiores exemplos disso no Antigo Testamento é José, filho de Jacó.


José: maturidade forjada na adversidade

José começa sua história com sonhos grandiosos dados por Deus, ele sonha com exaltação, liderança e honra. Mas o caminho até o cumprimento da promessa passa por traição, injustiça, abandono e silêncio. Ele é odiado pelos irmãos, vendido como escravo, injustamente acusado pela esposa de Potifar e esquecido na prisão. Humanamente falando, nada faz sentido. Cada passo parece afastá-lo do sonho original.

“E o senhor de José o tomou e o lançou no cárcere, no lugar onde os presos do rei estavam encarcerados; ali ficou ele no cárcere. O Senhor, porém, era com José e lhe foi benigno.” -Gênesis 39.20-21 NVI

Observe: a presença de Deus não o livrou da prisão, mas o sustentou dentro dela. Perseverança não é ausência de cadeias, é fidelidade em meio a elas.

Do ponto de vista emocional, José tinha todos os motivos para se tornar amargo, mas a perseverança produziu nele caráter. O jovem sonhador tornou-se um homem sábio, equilibrado, sensível à dor alheia e capaz de administrar poder sem perder a alma.


José não reprimiu a dor, mas também não deixou que ela definisse sua identidade. Ele não se viu como vítima, mas como servo de Deus em processo.

Anos depois, quando seus irmãos estão diante dele, José declara uma das frases mais maduras de toda a Escritura:

“Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer como vedes agora, que se conserve muita gente em vida.” - Gênesis 50.20 NVI

Essa frase não nasce da negação da dor, mas da esperança forjada na perseverança. José não diz que o mal foi bom, mas que Deus foi soberano sobre o mal.


Há sofrimentos que você não escolheria, mas que Deus está usando para formar em você algo que o conforto nunca produziria. Maturidade espiritual não é ausência de cicatrizes, é presença de esperança.

Paulo afirma que a esperança gerada por esse processo “não confunde”, ou seja, não decepciona. Por quê? Porque não está baseada em circunstâncias, mas no amor de Deus derramado pelo Espírito Santo.

“Deus não desperdiça a dor dos seus filhos; Ele a transforma em instrumento de maturidade e esperança.”

Talvez você esteja vivendo algo que parece injusto demais para ser plano de Deus. Você fez o certo, mas foi ferido. Confiou, mas foi traído. José não amadureceu porque a vida foi fácil, mas porque ele escolheu não deixar a dor roubar sua identidade. A dor não define quem você é; ela revela em quem você vai se tornar.


Deus não está atrasado na sua vida. Ele está trabalhando em você enquanto você pensa que Ele está te deixando de lado.”


4–PERSEVERAR É MANTER OS OLHOS FIRMEMENTE EM JESUS

“Olhando firmemente para Jesus, o Autor e Consumador da fé, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à direita do trono de Deus. Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma.” - Hebreus 12.2–3 NVI

O clímax do texto de Hebreus não está no esforço humano, mas no foco correto. O autor não diz: “olhem para dentro de si”, nem “olhem para as circunstâncias”, nem mesmo “olhem para os heróis da fé”. Ele diz: “olhando firmemente para Jesus.” A perseverança cristã não é sustentada pela força da nossa fé, mas pela fidelidade daquele em quem cremos. JESUS.

A expressão “olhando firmemente” traz a ideia de desviar o olhar de tudo o mais para fixá-lo em um único ponto. Muitos cristãos estão cansados porque dividem o olhar: um pouco em Cristo, um pouco na dor; um pouco na promessa, um pouco no medo. A alma não suporta viver assim por muito tempo.


Jesus é apresentado como o Autor da fé — aquele que a iniciou — e o Consumador da fé — aquele que a leva até o fim. Isso significa que a fé que hoje parece fraca não depende exclusivamente de você; ela está segura nas mãos daquele que não falha.

Cristo não perseverou porque não sofreu; Ele perseverou através do sofrimento. O texto diz que Ele “suportou a cruz”, não ignorando a dor, mas enfrentando-a com propósito, no Getsêmani, Jesus experimentou angústia profunda, pressão emocional extrema e sofrimento psicológico real.

“E, estando em agonia, orava mais intensamente; e aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra.” - Lucas 22.44 NVI

A ciência reconhece esse fenômeno como hematidrose, uma reação rara a estresse emocional intenso. Isso nos ensina algo precioso: Jesus conhece a angústia profunda da alma humana. Ele nos conhece, Ele não apenas salva o espírito; Ele compreende a dor da mente e do coração.

No entanto, mesmo assim, Ele perseverou. Por quê? Porque havia “uma alegria que lhe estava proposta”. Jesus enxergava além da cruz.

Ele via redenção, salvação, restauração e um povo comprado pelo seu sangue.


Quando você perde a capacidade de enxergar além da dor, a perseverança enfraquece. Mas quando você olha para Cristo, a dor ganha limite e a esperança ganha força.

O autor de Hebreus conclui com um chamado prático: “considerai atentamente”. Isso é um convite à contemplação profunda. Em momentos de esgotamento emocional, a alma precisa reaprender a meditar na pessoa de Cristo, não apenas em técnicas ou respostas rápidas.

O texto termina com um propósito claro:

“…para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma.”

Deus se importa com a sua alma cansada, o evangelho não chama você apenas para resistir, mas para descansar em Cristo enquanto persevera.

“Quando os olhos se afastam de Cristo, a alma desmaia; quando os olhos permanecem em Cristo, a esperança revive.”

Quando a dor aperta, nossa tendência é olhar para dentro e perguntar: ‘O que está errado comigo?’ Ou olhar para fora e perguntar: ‘Por que isso está acontecendo comigo?’ Hebreus nos chama a olhar para cima, Jesus não te chama para ser forte, Ele te chama para olhar para Ele. Enquanto você olha para Cristo, Ele sustenta você.


Talvez hoje você não consiga mudar a situação, mas pode mudar o foco.”



CONCLUSÃO


Hoje, agora talvez você esteja exatamente no meio da luta,... o problema não é que você não ame a Deus, o problema não é a sua falta de fé. O problema é o cansaço da alma.

E quando esse cansaço não é tratado à luz da Palavra, ele se transforma em desistência silenciosa.

A Escritura hoje nos confronta com uma verdade inegociável: Deus não nos chamou apenas para começar a corrida, mas para terminá-la. Muitos começaram bem, com entusiasmo e zelo, mas estão parados à margem do caminho, sobrecarregados por pesos ou ate pecados, querem resolver sozinhos.

O Espírito Santo não pergunta hoje se você entende o processo. Ele pergunta se você vai permanecer nEle.

Perseverar não é ausência de lágrimas, é decisão, não é sentir força, é confiar, não é compreender tudo, é continuar obedecendo mesmo quando nada faz sentido.

A fé que agrada a Deus não é a fé que explica todas as respostas, mas a fé que se agarra ao caráter de Deus quando as respostas não vêm ou quando temos duvidas.

Martinho Lutero, em meio a perseguições, lutas internas e profundas crises da alma, disse algo que precisa ecoar hoje em nossos corações:

“Senti-me muitas vezes abandonado por Deus, mas nunca duvidei que Ele estivesse comigo.”

Isso é perseverança, não é negar a dor, é permanecer apesar dela, não é ausência de medo, é confiança no meio do medo.

Talvez hoje você esteja pensando em desistir, do ministério, do casamento, da caminhada cristã, da esperança. Talvez você não tenha verbalizado isso, mas seu coração já esteja decidido ou cansado demais para continuar lutando. A Palavra de Deus vem hoje como um alerta amoroso, porém firme: " não desista agora ".

O meio do caminho é o lugar mais perigoso para parar.


Cristo não desistiu de você quando a cruz parecia o fim. Ele perseverou até o fim porque via além da dor, se Ele suportou a cruz por amor a você, você pode suportar esta fase da sua vida complicada, confiando n’Ele, o autor e consumador da nossa fé...


Hoje é dia de restauração. Hoje é dia de alinhar o olhar. Hoje é dia de decidir continuar correndo — não pela sua força, mas sustentado pela graça maravilhosa.

Pergunta:

Você vai desistir no meio da corrida ou vai perseverar confiando que Cristo é suficiente, mesmo quando nada faz sentido?

Talvez ninguém saiba, mas você já pensou em desistir. Não de Deus, mas de lutar. E hoje o Senhor te chama pelo nome e diz: ‘Não desista agora’. Você está mais perto do que imagina, Perseverar não é gritar fé; é sussurrar, dizendo ‘Senhor, me ajuda a continuar andando.”


Se você não consegue correr, caminhe, Se não consegue caminhar, permaneça. Mas não desista.” Quem persevera em Cristo nunca corre em vão.


DEUS TE ABENÇOE.

Recomendo ouvir a musica: "Só em ti" - Novo Canto


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Pastor Daniel Andrade

Pastor Adjunto da IPR

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